Verão de 2023. Esta é a altura prevista para a entrada em funcionamento do Dolinas Hotel, unidade hoteleira de quatro estrelas cuja construção teve início há, praticamente, 20 anos, na vila de Porto de Mós mas que nunca chegou a ser concluída. Depois da demolição, no verão passado, do hotel inacabado por apresentar problemas estruturais que impossibilitavam que o projeto ganhasse a forma idealizada pelo seu promotor, no mesmo local já está a nascer um novo edifício.

«Houve aqui alguns imprevistos mas, para já, ainda é com esse prazo que temos de estar vinculados», esclarece o gestor de projetos em Portugal do grupo promotor, Cedrico Moreno, explicando que de acordo com a candidatura a fundos comunitários do Portugal 2020, o verão do próximo ano é, de facto, a meta. Trata-se de «um prazo bastante apertado», no seu entender, mas garante que a empresa está empenhada no seu cumprimento, até porque está em causa um apoio comunitário de três milhões de euros, no conjunto de um investimento superior a 10 milhões de euros.

«É esse valor que está previsto, no entanto, com a alta de preços atual, vamos ver se será suficiente. De qualquer forma, lembro, estamos a falar apenas de obra nova porque não entra neste cálculo a compra de terrenos e de edifícios já efetuada», sublinha.

Quanto à unidade em si, o essencial do projeto já é conhecido há longos meses, uma vez que apesar de estar a ser construído um novo edifício pouco ou nada parece ter mudado. De acordo com o responsável será um hotel de quatro estrelas, com 85 quartos de várias tipologias, espalhados pelos dois edifícios: aquele que durante muito tempo esteve reservado para habitação e o outro que desde a primeira hora foi pensado para hotel. Continua a ser intenção da empresa promotora instalar a piscina no piso superior do edifício mais baixo, ou seja, no já existente. O hotel terá um espaço multiusos para eventos com capacidade para 200 pessoas, além de outras salas de menor dimensão. Numa altura em que os hotéis estão cada vez mais divididos por segmentos temáticos e de conceito, o Dolinas Hotel tem o desporto de natureza como principal referência portanto terá uma componente forte a esse nível. Assim, os clientes poderão usufruir, entre outros, de uma parede de escalada, a ocupar parte significativa de uma das paredes exteriores do hotel. Além daquele elemento diferenciador relativamente a unidades similares na região, haverá um espaço próprio para acolher bicicletas.

Presidente da Câmara confiante mas não põe “as mãos no fogo”

À conversa com o nosso jornal sobre o início da obra do hotel, o presidente da Câmara, Jorge Vala, começa por recordar que «depois do projeto aprovado a empresa levantou a respetiva licença e os trabalhos iniciaram-se ainda no ano passado. Entretanto, solicitou o encerramento da rua contígua, por seis meses, até pôr à cota zero toda a betonagem, sobretudo por razões de segurança». «O coordenador da Proteção Civil fez uma avaliação e, de facto, há ali algumas fragilidades e, então com a quantidade de camiões carregados, os taludes podem começar a ceder e para não se correrem riscos encerra-se aquela parte, prejudicando, é certo, os moradores embora por um período limitado», diz.

Pormenores técnicos à parte, Jorge Vala afirma que «o início dos trabalhos do hotel é uma excelente notícia, não por ser um hotel ou este hotel em particular, mas pela importância que tem para o nosso território e para a estratégia que o executivo municipal definiu para o turismo e para o mundo empresarial». «Um hotel com a dimensão deste e com a função dedicada a estas duas áreas configura-se extremamente importante. Além disso, trata-se de um investimento superior a 10 milhões de euros e não é todos os dias que um investidor se disponibiliza a algo dessa dimensão», destaca, frisando que «Porto de Mós recebe de braços abertos qualquer investidor que venha por bem e este seguramente que vem por bem, disponibilizando-se a fazer um investimento com esta dimensão e que há de corresponder, em primeiro lugar, às suas expectativas mas ser também bastante positivo para o concelho», dado que «hoje, além de um hostel, não temos capacidade hoteleira na vila». Em suma, o autarca considera que «vamos todos ganhar, inclusive a concorrência», realçando, ainda, que «vai com certeza, trazer novos públicos e potenciar a economia local».

Questionado se depois de tantos anos e de tantos percalços acredita que é desta que o hotel é concluído, Jorge Vala deixa claro que «neste tipo de investimentos e quando há uma história de 20 anos de avanços e recuos devemos sempre colocar algumas reservas». No entanto, diz, «o que parece é que este investimento está sustentado por vários fatores que asseguram quer a parte financeira, quer a parte de exploração. Portanto, estando assegurado, parece que é um investimento para chegar ao fim, até porque já tem algum percurso feito [em termos financeiros] e não parece que agora vá voltar para trás». «Há aqui uma consistência por parte da entidade promotora para levar o projeto até ao fim, é essa a nossa enorme expectativa e é nisso que confiamos», conclui Jorge Vala.

Foto | Jéssica Silva