Devagar, devagarinho. Esta será, talvez, a melhor forma de descrever a evolução que o projeto do hotel em construção à entrada da vila de Porto de Mós tem tido nos últimos meses.

De acordo com o presidente da Câmara, Jorge Vala, «no final do ano de 2019, o promotor entregou o projeto de arquitetura e um estudo de estabilidade do edifício. Analisado o projeto por parte dos serviços técnicos concluíu-se da necessidade de fazer algumas alterações e retificações para não conflituar com o PDM». Entretanto, na semana passada, o projeto já retificado entrou, de novo, na Câmara e, a cumprirem-se as previsões de Jorge Vala, à data de saída de O Portomosense ou já estará aprovado, ou sê-lo-á muito em breve.

Além das alterações que foi necessário fazer, a culpa de mais esta demora será da velha e incontornável burocracia. Depois da Assembleia Municipal ter aprovado a cedência de terreno para domínio público e a passagem do domínio público para privado foi necessário ao promotor levar a cabo negociações, permutas e compensações, processo que culminou com o registo das Finanças e da Conservatória para depois se poder fazer a escritura, coisas que levam o seu tempo, lembra o autarca.

Neste período, outra das preocupações foi a elaboração de um projeto de estabilidade. «Como o edifício começou a ser construído há mais de 15 anos e como vai ter mais carga que o inicialmente previsto, foi feita uma sondagem para se perceber do seu estado e avaliar em que condições vai ser construído o novo edifício, se é de raiz ou a partir do “esqueleto” que já existe», refere Jorge Vala, afirmando que, para a Câmara, «isso é uma questão secundária, o importante é que o processo ande e o hotel se contrua e que seja uma realidade dentro de relativamente pouco tempo».

Depois do projeto aprovado, o autarca pensa que o próximo passo do promotor do hotel será avançar com uma candidatura ao Fundo de Turismo, e após isso, «eventualmente, as obras irão avançar», pelo menos, o empresário tem demonstrado interesse em «começar os trabalhos o quanto antes».

“Se o hotel não for feito, o promotor perde tudo”

Com um historial tão longo de avanços e recuos nas mãos de sucessivos promotores será que há o risco do hotel não ser feito ou o espaço passar a ter outra utilização? Jorge Vala garante que não, a menos que o promotor queira «perder tudo». «Em relação ao edifício que era para habitação, o mais baixo, neste momento já não há essa possibilidade porque foi aprovado pelo Turismo para hotel e o outro também. Na Câmara, neste momento, o licenciamento que existe é exclusivamente para hotel, o projeto de arquitetura é para um hotel e embora não seja exclusivo, o próprio PDM já lá tem prevista uma unidade hoteleira. A alteração ao loteamento também não veio alterar a utilização», portanto o autarca não vê outro caminho que não seja o de avançar, e concluir, o empreendimento há muito previsto, e prometido, para aquela zona da vila.

«O hotel, com 80 quartos, tem um conceito muito interessante e penso que não estarei a cometer uma inconfidência se disser que, em princípio, será o primeiro do país dedicado exclusivamente à escalada, terá, inclusive, uma torre de escalada indoor, no interior do edifício, desde a cave até ao último piso», conta o autarca adiantando, ainda que «o conceito desta unidade é virado para o território e, nesse aspeto, para o turismo de aventura e de natureza (o que me parece uma aposta diferenciadora por parte do promotor), mas que vai também ao encontro do tecido empresarial estando preparado com um grande salão para conferências e um outro multiusos que pode ser utilizado na totalidade ou dividido por salas».

Para Jorge Vala, «trata-se de um projeto muito interessante que se enquadra ali apesar de ser uma zona habitacional» mas que vai exigir à Câmara outras coisas, «nomeadamente o arranjo do outro lado do Parque Almirante Vítor Trigueiros Crespo». «Eu considero que o hotel pode ser uma âncora em conjunto com a Central e o complexo de piscinas. O que para mim não é âncora são as tasquinhas e o campo de futebol sintético, até porque dentro de pouco tempo se não fizermos balneários ali ao pé deixamos de ter competição e não faz sentido estar a plantar mais uma construção naquela zona», sublinha adiantando que se tem de «continuar a estudar aquela área para a transformar numa zona de excelência de Porto de Mós».

«Temos de dar a esta entrada da vila uma dignidade que hoje não tem. Além das festas que ali se fazem serve de estacionamento para camiões e temos de arranjar uma outra forma de a valorizar. Eu gostava de aproximar aquele espaço ao rio e à água», conclui Jorge Vala, adiantando que apesar de ainda nada estar decidido a Câmara já ali comprou vários terrenos e vai continuar a fazê-lo.