Aquilo que até há pouco tempo era classificado de “boato”, parece confirmar-se agora: o edifício que começou a ser construído há mais de uma dezena de anos, numa das entradas principais da vila de Porto de Mós, para albergar um hotel, deverá ser demolido parcial ou totalmente e no mesmo local nascer um novo espaço com fim idêntico.

A confirmação foi dada pelo presidente da Câmara, Jorge Vala, na última Assembleia Municipal, em resposta ao deputado municipal, António Pires (PSD) que lamentou andar há vários anos a questionar os sucessivos executivos camarários sobre o ponto de situação relativamente ao hotel prometido para o Euro 2004 e sair agora no final do mandato sem que este esteja concluído. «Foi uma bandeira em que eu peguei durante muitos anos e vou-me embora com a bandeira em baixo. Quando entrei já se falava num célebre hotel, apanho um segundo hotel e vou-me embora sem este hotel» [estar concluído], disse desalentado o autarca.

Em resposta, o presidente da Câmara revelou que «neste momento o hotel tem a licença [de construção] a levantamento» e esta deverá ser «levantada dentro de dias». De acordo com o autarca, se isso acontecer, poderá ser demolida uma parte ou mesmo todo o edifício existente. «Vamos esperar para ver se o promotor levanta a licença. Se o fizer, será bom sinal, portanto vamos tentar que as coisas aconteçam» afirmou Jorge Vala.

«Nunca andei aqui muito com a bandeira do hotel porque conheço a história desde o início, eu fazia parte da assembleia municipal quando o então senhor vice-presidente da Câmara veio anunciar o hotel, tendo apresentado mesmo um videograma de como iria ficar para servir ao Euro 2004 em futebol. Daí para cá e depois de todas as peripécias que aconteceram a postura do [atual] presidente da Câmara e também do executivo tem sido de alguma cautela», reforçou.

Para Jorge Vala «Porto de Mós precisa deste projeto concretizado» e se isso acontecer vai ser possível, finalmente, pôr em marcha e em pleno «a estratégia que o atual executivo definiu para o concelho em termos de turismo e de turismo da natureza, em particular».

Se o projeto avançar, como espera o responsável autárquico, o hotel contará com cerca de 85 quartos e terá uma torre de escalada indoor própria para a competição, o que faz dele pioneiro a este nível, estando muito virado para o turismo de natureza. «O promotor tem projeto aprovado no Fundo de Turismo no valor de 10,4 milhões de euros, além de ter aprovados fundos comunitários. Se não construir em dois anos arrisca-se a perder isto tudo», sublinhou.