No passado fim de semana, 23 e 24 de abril, a Junta de Freguesia de Porto de Mós voltou, uma vez mais, a organizar o CulturalMós – antiga Semana Cultural – um evento dedicado à música, ao artesanato, aos licores e à doçaria da freguesia, e no qual estiveram presentes uma dezena de comerciantes que deram a conhecer os seus produtos. A paragem de dois anos a que esta iniciativa esteve sujeita não foi esquecida pelo presidente da Junta, Manuel Barroso, que descreveu esse fim de semana como «dois dias de liberdade».

O CulturalMós decorreu, desta vez, no renovado espaço do Fórum Cultural de Porto de Mós e não no recinto das tasquinhas, como acontecia habitualmente. E foi precisamente a inauguração das obras de requalificação do Fórum Cultural que marcou o início do programa deste ano. O momento simbólico foi o culminar de um trabalho de 10 anos, como lembra o presidente do Fórum Cultural, António Almeida: «Este edifício estava bastante degradado, quer na parte interior quer na parte exterior. Demorou o seu tempo. Também não havia dinheiro», refere. Por outro lado, a elevada deterioração existente no espaço obrigou a uma mudança de estratégia na forma como se procedeu à sua recuperação. «Normalmente as casas recuperam-se a partir de baixo mas esta foi exatamente ao contrário. Chovia em muitos sítios, portanto a primeira prioridade foi recuperar o telhado», explica.

Após muitos anos de trabalho e de esforço, o obsoleto deu lugar ao moderno e o Fórum Cultural tem hoje uma sala a “cheirar a novo”, um lugar que António Almeida espera, a partir de agora, poder ver mais utilizado. «Não faz sentido todo este investimento se as pessoas não vierem para aqui. Gostávamos que todos os dias este espaço tivesse, pelo menos, uma atividade. Eu sei que é muito difícil mas era fundamental que isso acontecesse», defende. Uma vez concluída a primeira fase das obras de requalificação, que contemplou o Salão Cultural, o objetivo é agora dar continuidade a outras partes do edifício, que estão, igualmente, a necessitar de uma reabilitação. «Este edifício é muito grande, tem muitas salas e tem muito que recuperar», reconhece.
Ainda durante a cerimónia de inauguração, António Almeida agradeceu a todos os sócios que ao longo de vários fins de semana se disponibilizaram para «ajudar a colocar o chão» e também enalteceu o apoio das pessoas que sempre ajudaram nas tasquinhas das Festas de São Pedro, um dos eventos mais importantes para a angariação de fundos. «Foi nas tasquinhas que conseguimos arranjar dinheiro para recuperar toda esta parte do edifício», revela.

Requalificação do cineteatro poderá ser a próxima

Presente na inauguração das obras do Fórum, o presidente da Câmara, Jorge Vala, começou por «felicitar» todos aqueles que tiveram a «ousadia e a coragem» de avançar com a obra e lembrou a importância que o projeto tem, em termos culturais, para a vila de Porto de Mós. «Este é um projeto de agregação cultural e espero que estas entidades que hoje fazem parte do Fórum Cultural continuem a consolidá-lo», considerou, revelando que este é um projeto no qual o Município já investiu «cerca de 50 mil euros».

Com a conclusão da primeira fase da requalificação do Fórum Cultural, fica aberta a possibilidade de, em breve, se poder colocar em marcha a requalificação do Cineteatro de Porto de Mós, um projeto há muito ambicionado e que poderá estar mais perto de ser concretizado. «A partir de agora temos condições para pensar, de uma forma diferente, na tão necessitada e importante requalificação do Cineteatro de Porto de Mós. Até aqui não tínhamos outra sala onde pudéssemos fazer os espetáculos», referiu Jorge Vala.

Música e dança preenchem fim de semana cultural

A terceira edição do CulturalMós contou com vários espetáculos musicais. No sábado, as Concertinas da Barrenta foram as primeiras a subir a palco, a que se seguiu o Coro Stoffel e o Coro Juvenil do Atneu de Leiria. A última atuação da tarde foi a do Grupo Cavaquinhos da Universidade Sénior do Rotary Clube de Porto de Mós. À noite houve baile com Zé Café & Guida.
O domingo começou com uma atuação da Escola de Dança Diartdance, a que se seguiu a Banda Recreativa Portomosense e o Grupo Coral Vila Forte. Por fim, atuou o Duo Mário Gomes e Gonçalo Crespo. A encerrar o evento houve fogo de artifício.

Foto | Jéssica Silva