Desde o passado dia 25 abril e até ao dia 29 de junho, a exposição Porto de Mós e o 25 de abril: vivências no tempo da Ditadura e da Revolução vai estar em todas as juntas de freguesia do concelho. Esta é uma iniciativa da Câmara Municipal de Porto de Mós, organizada pelo Museu Municipal e coordenada pelo investigador Kevin Soares que marca o início da comemoração dos 50 anos do 25 de Abril (em 2024). O espólio em demonstração em cada junta de freguesia pertence à população (da respetiva terra) que foi incentivada a partilhar documentos, imagens e tudo o que tivesse e que fizesse alusão à Revolução de Abril.

«Conhecer o processo de democratização e transição para a democracia em territórios como Porto de Mós é conhecer de forma mais plena o sentido da Revolução de Abril», frisou Kevin Soares. O historiador lembrou que o 25 de Abril de 1974 «encerrou na sua génese um conjunto de valores e ambições que convém hoje atualizar»: «A liberdade, o respeito pelo pluralismo e a necessidade de ter um debate claro e sereno para a nossa vida democrática», salientou, reforçando que iniciativas que lembram Abril servem para lembrar isto mesmo.

Este ano começa, assim, o início das comemorações dos 50 anos da Revolução e já estão definidos os objetivos para cada um dos próximos três anos. «Neste primeiro ano vamos dedicar-nos a ouvir e partilhar». Além desta exposição, há o intento de ainda este ano criar um catálogo «que servirá para colocar todo este material na rua e para difundi-lo junto da comunidade». Serão também realizadas «sessões nas escolas»: «Alguém, que tenho sido eu, faz uma breve apresentação e depois está presente também alguém que viveu a Revolução». Kevin Soares considera que é importante «valorizar as gerações que viveram a Revolução, levá-las e colocá-las em diálogo com aqueles que tiveram a sorte de viver sempre em democracia».

O segundo ano de comemorações (2023) será dedicado a «dialogar e aprender» através da «organização de ciclos de conferências que pretendem trazer a Porto de Mós autores de renome para compreender a Revolução e a sobrevivência do regime», revela o coordenador. «É o caso da história da PIDE, a história do impacto da censura, é o caso da Guerra Colonial», acrescenta ainda. O último ano, 2024, será «o ano de difundir e celebrar» os 50 anos. «Teremos certamente tempo para vários espetáculos e será um momento para uma obra monumental que já está a ser preparada», explica o historiador. Esta obra terá uma dimensão científica que partirá «de um conjunto de dossiês temáticos coordenados por investigadores com alguma carreira científica». Kevin Soares coordenará o dossiê da história local. Num segundo momento, a expectativa é recolher «atas da Câmara e das juntas do concelho, assim como as atas constitutivas das associações que foram formadas no período de transição» pós-revolução. «Há um terceiro elemento que eu gostava de concretizar», começa por referir Kevin Soares, lançando «um desafio a todos»: «Convém celebrarmos aqueles que participaram na Revolução de Abril. E convém fazê-lo identificando aqueles que logo nos primeiros anos estiveram presentes no poder local, nos diferentes órgãos. No ano passado tivemos uma enorme dificuldade em identificar estas pessoas com rigor e é agora tempo de tentar fazer esse esforço, uma vez que daqui por 50 anos será seguramente mais difícil». Kevin Soares deixou no final um agradecimento ao executivo camarário por confiar esta missão em si: «Não tenho dúvidas que são poucas as tarefas de maior responsabilidade que terei ao longo da minha vida». O historiador dirigiu depois um «agradecimento mais formal ao coronel médico Mário Pragosa» pela disponibilidade em integrar a Comissão de Honra dos 50 anos do 25 de Abril criada para coordenar estas comemorações. Esta comissão será presidida por Luís Amado, que não pôde estar presente neste dia, e os seus membros servirão de «embaixadores junto da comunidade civil para as comemorações».

Foto | Jéssica Silva