O Portomosense dirigiu à Delegada de Saúde de Porto de Mós, Lurdes Costa, algumas questões que permitissem olhar para o concelho, desde que a pandemia de COVID-19 chegou a Portugal. O retrato traçado remonta ao dia 26 de agosto.

Porto de Mós registou, desde o início da pandemia, cerca de três dezenas de infetados e um morto. Pedimos que trace, a O Portomosense, um panorama geral do período desde março até à atualidade e nos explique no que se cifrou o trabalho da Saúde Pública ao longo destes meses.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a COVID-19 como pandemia no dia 11 de março de 2020. As Unidades de Saúde Pública (USP), e muitas vezes de uma forma “pouco visível”, intervieram, desde o primeiro momento, de forma efetiva em relação à infeção, através do rastreio de contactos. Esta estratégia, de acordo com as recomendações internacionais (da OMS, da Comissão Europeia e do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças – ECDC), é das mais relevantes para a interrupção das cadeias de transmissão do SARS-CoV-2, minimizando o risco de contagiosidade e permitindo o diagnóstico atempado dos casos de COVID-19.

O rastreio de contactos tem lugar sempre que há um caso de COVID-19 e consiste na identificação e avaliação do risco de todas as pessoas que estiveram expostas direta ou indiretamente ao caso. Posteriormente, são efetivadas medidas de vigilância, que englobam o isolamento profilático dos contactos de alto risco e o seu seguimento diário para monitorização de sintomas compatíveis com a doença. Os contactos de baixo risco ficam sujeitos a vigilância passiva, com automonitorização diária de sintomas, durante um período, igualmente, de 14 dias, desde a data da última exposição.

A USP Pinhal Litoral, até 26 de agosto de 2020, rastreou 2 558 casos, dos quais 232 permaneciam àquela data em vigilância.

De entre as outras atividades que têm sido desenvolvidas pela Saúde Pública salientam-se as seguintes: divulgação diária do report de casos e contactos para a Administração Regional de Saúde (ARS) Centro, o Agrupamento de Centro de Saúde (ACES) Pinhal Litoral, a Proteção Civil e as Forças de Segurança; articulação permanente com as instituições, empresas e estabelecimentos comerciais e outros, visando a adoção de medidas em conformidade com as recomendações e orientações emitidas pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e as adaptações necessárias decorrentes da situação epidémica em vigor (confinamento, emergência, calamidade ou alerta); esclarecimento de dúvidas/solicitações de caráter individual e coletivo; emissão de pareceres para elaboração/atualização dos Planos de Contingência específicos, para eventos e outros; emissão de orientações técnicas locais; elaboração e divulgação de instrumentos informativos; articulação/cooperação com os parceiros institucionais (Autarquia, Proteção Civil, Segurança Social, Forças de Segurança, Bombeiros) na divulgação da informação, na implementação do confinamento obrigatório de casos de COVID-19 e contactos, na limitação da concentração de pessoas na via pública e em espaços públicos, no encerramento e reabertura dos estabelecimentos de comércio e outros.

PANORAMA NA ÁREA DE ABRANGÊNCIA DO ACES PINHAL LITORAL (CONCELHOS DE BATALHA, LEIRIA, MARINHA GRANDE, POMBAL E PORTO DE MÓS), DESDE O INICIO DA PANDEMIA ATÉ 26/08/2020:
O ACES Pinhal Litoral, até 26/08/2020 registou 17 mortes relacionadas com a COVID-19, uma das quais no concelho de Porto de Mós.

Quanto ao número de casos confirmados por esta infeção, os dados indicam, até à mesma data, 406, dos quais 28 residem no concelho de Porto de Mós; destes já recuperaram 333. Permanecem ativos 52 casos, um no concelho de Porto de Mós e sob vigilância pela Saúde Pública 232 contactos.

Até 26/08/2020, já foram realizados 22 2251 testes para COVID-19.

Qual o momento mais preocupante?

O início da pandemia da COVID-19, na minha opinião, foi o momento mais preocupante. Os dois fatores-chave para esta situação foram sem dúvida o facto de se tratar de um novo coronavírus, que nunca tinha sido identificado anteriormente em seres humanos, do qual pouco se sabia cientificamente e a necessidade de adaptação a uma realidade completamente nova e desconhecida.
Os surtos de COVID-19 também podem ter um grande impacto, sobretudo se ocorrerem nas estruturas de idosos, por acolherem uma população mais vulnerável à infeção, pela idade e comorbilidades, e por se encontrarem numa situação de risco acrescido de maior propagação do vírus. No concelho de Porto de Mós, até à presente data, não se verificou nenhum surto com estas características.

Quais as medidas atualmente em vigor que estão a ser desempenhadas periodicamente pela Delegada de Saúde, ou pela própria unidade de Saúde Pública?
No contexto epidemiológico atual devido à pandemia da COVID-19 vigora na nossa região a situação de alerta. Mantêm-se as medidas de Saúde Pública, atrás referidas, relativas ao sistema de vigilância em Saúde Pública e a articulação com os parceiros institucionais na divulgação da informação e aplicação das medidas relativas a instituições, empresas, estabelecimentos comerciais e outros. Nas estruturas residenciais de idosos, às orientações de caráter preventivo, somam-se as visitas de acompanhamento mensal, que iniciámos este mês, em cooperação com a Segurança Social, a Câmara Municipal e a Proteção Civil.
Durante este período, de vigência da situação de alerta, em que as medidas impostas são globalmente menos restritivas, não podemos esquecer que as medidas de prevenção da COVID-19 devem ser mantidas, pois o vírus continua a circular e subsiste o risco de “uma segunda onda” até ao aparecimento de uma vacina eficaz e disponível. Assim, todos temos a obrigação de continuar a cumprir as regras básicas de higiene das mãos, a etiqueta respiratória, a manutenção do distanciamento físico e a utilização correta da máscara.