Porto de Mós recebeu até ao momento nos seus estabelecimentos de ensino, desde o pré-escolar ao 3.º Ciclo, 19 jovens e crianças vindas da Ucrânia. Os dados foram disponibilizados a O Portomosense pelo Agrupamento de Escolas de Porto de Mós e pelo Instituto Educativo do Juncal (IEJ). Segundo o mesmo documento, quatro alunos estão inseridos no Ensino Pré-Escolar, 10 no 1.º Ciclo e, até ao momento, há cinco jovens a frequentar o 2.º Ciclo, no concelho de Porto de Mós. Destes, apenas duas alunas estão no IEJ, uma está a frequentar o Pré-Escolar e outra o 2.º Ciclo, estando prevista a chegada de uma terceira para o 8.º ano, ainda este mês, dia 18, segundo informação disponibilizada pelo IEJ.

Fernanda Coimbra, diretora de turma do 9.ºA, do IEJ, explica como está a decorrer o processo de integração da aluna refugiada: «Ela está bem integrada, os colegas gostam muito dela, são muito curiosos para a conhecer, receberam-na muito bem e ficaram muito contentes por ir para a turma». A diretora pedagógica do IEJ, Tânia Galeão, também em declarações a O Portomosense revela que a escola recebeu a aluna refugiada no dia 21 de março e até agora «esta aluna mostrou ser bastante interessada e empenhada. Em menos de um mês Anastassia Khaletska já está inserida num «clube federado de basquete, através do IEJ e da Câmara Municipal». Na escola, adianta a diretora de turma, «ela pratica a modalidade com os rapazes, que já admitiram que a jovem joga melhor que eles».

Em relação aos conteúdos abordados em sala de aula, refere Fernanda Coimbra que a aluna «está perfeitamente à vontade e consegue acompanhar as matérias, uma vez que muitas delas já foram dadas em anos anteriores na Ucrânia». A comunicação é feita em inglês, língua que ela percebe «minimamente» e também de programas de tradução. O mais complicado, adianta a diretora de turma, é a língua portuguesa. «No entanto, existem já a decorrer apoios específicos de português língua não-materna para ajudar no conhecimento e domínio da língua destinado aos alunos refugiados, apoios esses que já estão a ser aplicados a outros alunos paquistaneses, que se encontram também a estudar no IEJ», avança Fernanda Coimbra. A professora de português conta ainda que «para ajudar os alunos refugiados, o grupo Leya fez um protocolo com uma editora ucraniana», permitindo que estes tenham acesso aos manuais ucranianos, em formato online. Desta forma, realça, «dá-lhes possibilidade de contactar com algo que lhes é mais familiar».

Até agora, a professora diz estar satisfeita pela forma como Anastassia está a ser integrada na escola: «É fantástico ver a bondade dos colegas, porque eles foram sempre muito solidários com ela». A professora considera ainda que os colegas da turma «estão a retirar desta experiência uma parte de humanismo e cultural muito importante, porque eles são muito curiosos, questionam sobre a história e a realidade dela», por isso, acredita a diretora de turma que receber alunos refugiados na turma «é sempre enriquecedor», para todos.

Crianças aprendem através de imagens, já que a língua é a maior dificuldade

Na Escola Básica N.º1 de Mira de Aire estão atualmente dois alunos refugiados, um com 6 anos e outro com 7, segundo indica a professora de 1.º Ciclo, Patrícia Silva, a O Portomosense, que os recebeu no dia 14 de março. Patrícia Silva começa por referir que o processo de integração «não é propriamente fácil», contudo o facto de «se terem um ao outro acaba por ajudar», porque se apoiam e compreendem, realça. As duas crianças foram recebidas na única turma de 1.º ano da escola, com a qual a professora «teve uma pequena conversa prévia à chegada destes novos alunos para lhes explicar a realidade destas crianças e o porquê da sua vinda para cá». Patrícia Silva diz ainda ter alertado os colegas da turma para o tipo de brincadeiras, dada a situação que eles passaram». Foi desta forma que a professora de 1.º Ciclo diz ter «preparado» os mais pequenos para a receção dos novos alunos.

Patrícia Silva revela ainda que a apresentação da escola e dos espaços foi feita por um aluno de 4.ºano da mesma instituição, que domina a língua ucraniana. Em relação à turma, a professora frisa que «embora não exista facilidade de comunicação verbal, muitas vezes os gestos e os olhares, falam e comunicam por si», acrescentando que não sentiu rejeição da parte dos colegas. «Há coisas que muitas vezes para nós são um problema e para as crianças não são um impedimento», considera.

A maior dificuldade, refere a professora, «é a língua», por isso o processo de aprendizagem destes alunos tem sido «muito à base de imagens, dar-lhes vocabulário, aquelas expressões simples como “obrigada”, “bom dia”, “boa tarde”, até para eles se saberem desenrascar», admite. Na sala de aula existe ainda uma professora de apoio «quase em exclusivo», para lhes «dar atenção, apoio e ajudar no processo de integração», conta. A professora do 1.º ano destaca ainda o apoio extra, de língua portuguesa, que está a ser dado ao nível de todo o Agrupamento, para ajudar os alunos refugiados a conhecer, aprender e dominar o português, que é a principal barreira, revelou.

A chegada destes alunos é um processo de aprendizagem também para os professores, considera Patrícia Silva. «É ainda muito recente, são coisas que se vão aprendendo diariamente, a maneira como lidar com eles e como trabalhar, todos os dias vamos melhorando», acredita.

Revisão | Isidro Bento