Todos os distritos têm um grupo denominado Operação STOP no Facebook e o distrito de Leiria não foge à regra. Estão a emergir cada vez mais, não só este tipo de grupos, como os seguidores que querem estar informados sobre as mais diversas informações de trânsito. Se é um destes seguidores, fique a saber como tudo começou. O Portomosense falou com André Lisboa, de 28 anos e natural de Viseu, administrador destes grupos e que criou o conceito em setembro de 2011. Desde muito jovem que se considera «muito empreendedor», sendo também o fundador de outros grupos com alguma visibilidade e que se estendem a todo o país. A ideia surgiu por considerar que «é algo útil a qualquer cidadão». «Sabia de alguns casos de pessoas em que uma Operação STOP os tinha prejudicado em algum momento da vida, principalmente por atraso a algum compromisso», conta. O seu intuito nunca foi «a ideia da fuga à multa», mas sim «para ser uma utilidade para quem se desloca diariamente bastantes quilómetros e que tem que cumprir horários e prazos rigorosos».

Apesar de ter esperado desde o início uma boa adesão, não deixa de estar «surpreendido positivamente com o número de utilizadores que os grupos atingiram». Mais do que isso, está satisfeito por não ter qualquer dúvida que os grupos têm «servido o propósito inicial». «Hoje em dia, as partilhas, apesar de controladas pelos administradores que me ajudam, vão muito além das localizações das Operações STOP. A própria GNR faz essas partilhas e encara estes grupos como um complemento a estratégias de prevenção rodoviária», garante. O fundador dá exemplos: «Acidentes, obras ou qualquer outro tipo de constrangimento no tráfego».

Atualmente existe já uma aplicação móvel destes grupos, no entanto, «precisa de investimento para ser aperfeiçoada e desenvolvida», explica André Lisboa. Neste momento a aplicação está «inativa para o sistema operativo Android e sistema de localização do telemóvel para as denúncias». Falta ainda «implementar notificações e criar a aplicação para iPhone». Este projeto está neste momento parado, não só porque o administrador tem outros «negócios que ocupam bastante tempo» mas também porque espera «parcerias» para poder desenvolver a aplicação.

Estes grupos podem ser perigosos?

Entrámos em contacto com a GNR para conhecer a visão da força policial sobre estes grupos e se acarretam alguns perigos. Em representação da força policial foi o Tenente-Coronel Paulo Joaquim Babo Nogueira, Chefe da Secção de Operações de Treino e Relações Públicas de Leiria, que respondeu, admitindo que estes grupos podem «constituir um complemento e um reforço das ações de sensibilização por parte da GNR, se entendidos dessa forma e canalizados para esse objetivo». O tenente lembrou ainda que também a GNR já se «associou» às redes sociais como meio priveligiado para transmitir «conselhos sobre segurança rodoviária, nomeadamente sobre condução sob o efeito do álcool, dos cintos de segurança, entre outras, através de comunicados» em especial no Facebook, constituindo uma «estratégia de prevenção e sensibilização». No entanto, lembra, que as pessoas «devem estar conscientes que a partilha da localização das ações e operações das Forças de Segurança poderá, em algumas situações, surtir um efeito contrário, na medida em que podem servir o propósito de criminosos, delinquentes e infratores» que podem assim escapar à Justiça. Há ainda casos específicos onde é fundamental o sigilo das operações, para não colocar «em risco a segurança das populações e dos militares, nomeadamente no decurso de operações de caráter reservado como é o caso de buscas domiciliárias ou outras operações de idêntico cariz».

Quanto ao fundador, André Lisboa, frisa que «as redes sociais podem sempre tornar-se perigosas se não forem bem usadas», o mesmo acontece nestes grupos. No entanto, nos grupos Operação STOP, as publicações são controladas «pelos administradores e moderadores» e quem não respeitar as regras é «banido do grupo», garante. André Lisboa reforça: «Os administradores estão atentos».