João Fonseca Matias, contabilista de profissão, decidiu lançar-se num projeto distinto, trocando os números pelas letras, mais concretamente, a publicação de um livro, que batizou como Na bruma do tempo. «Há muito tempo sonhei, mais tarde escrevi, muito mais tarde publiquei e a obra nasceu», foi desta forma que o autor introduziu o discurso na apresentação do seu primeiro trabalho literário, remetendo para um verso do poema Infante de Fernando Pessoa, que diz que «Deus quer, o homem sonha, a obra nasce». Na apresentação do livro, o autor confessa que as 700 páginas de texto, que começaram a ser escritas em 2014, deram lugar às atuais 493, onde faz uma viagem ao passado contando as experiências mais marcantes da sua história.

Em declarações a O Portomosense, João Fonseca Matias refere que o livro pode ser dividido em três partes. Na primeira aborda a situação de Portugal, a pobreza, o subdesenvolvimento e a preocupação com a guerra; a segunda retrata o seu percurso como militar na força aérea, o momento que precedeu à sua ida para a guerra do Ultramar; e na última parte faz um relato das suas experiências por Moçambique, para onde revela ter ido «a contragosto», reconhecendo, no entanto, a importância de o ter feito. «É certo que sofri muito, tive muitas saudades, mas também tive alegrias, paixões, venturas e desventuras, em todo o território de Moçambique», garante o autor, admitindo que considera este o seu segundo país.

O autor revela a O Portomosense que «no fundo isto é mais um objetivo, uma concretização pessoal, do que propriamente uma questão económica», acrescentando que com a sua obra pretende também passar um pouco do seu conhecimento, da sua experiência de vida, enquanto «militar e jovem na época do 25 de abril», refere.

Amigos apresentam e elogiam obra

O livro de João Fonseca Matias foi apresentado ao público no dia 6, no cineteatro de Porto de Mós, no qual o autor, juntamente com a sua sobrinha e um amigo, Catarina Pereira e Artur Costa, respetivamente, deram a conhecer a obra e ainda o que motivou a sua escrita. A abertura da cerimónia foi feita por Catarina Pereira, que começou por parabenizar o tio, «pelo conteúdo, pela imagem, pelos momentos agradáveis que a leitura irá proporcionar, pela curiosidade que desperta e pelas histórias que nele encerra». Nas palavras da sobrinha de João Fonseca Matias, a obra reflete «uma visão abrangente do que se passava na época e em seu redor».

«Quem descreve desta maneira a Natureza que o rodeia, tem dotes de artista de corpo inteiro», prosseguiu na apresentação Artur Costa, remetendo para as «tão belas descrições» feitas por João Fonseca Matias. Artur Costa, professor de português no ensino secundário, começa por destacar «a coragem, audácia e resiliência» do autor, que faz questão de tratar por «amigo João Matias». Artur Costa caracteriza o livro como sendo «uma obra autêntica e autobiográfica, com a capacidade de transportar os leitores para muitos espaços e de os conduzir brilhantemente numa deslumbrante viagem de aventuras cativantes e sobretudo pedagógicas para aqueles que não viveram ou não ouviram falar deste período obscuro da nossa história», afirma.

Na apresentação do livro, também houve um momento musical com Ana Ramos, sobrinha do autor, que presenteou o tio com uma música original, a partir de um excerto da obra.

Revisão | Catarina Correia Martins
Foto | Rita Batista