O presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós, Jorge Vala, deu a conhecer, na última reunião do executivo, a sua indignação para com o «aumento extemporâneo e fora de qualquer contexto, de 8,5%», imposto pela Valorlis, no que à taxa de tratamento de resíduos sólidos urbanos diz respeito. O autarca afirmou já ter mostrado o seu desagrado junto da Valorlis, assim como da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos, que validou a proposta da empresa, e informou que, através da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, este «manifesto de indignação» chegará também ao ministro da tutela.

Este aumento «excessivo e descontextualizado» não vai, no entanto, ter qualquer influência na fatura dos consumidores portomosenses, uma vez que a Câmara optou por «acomodar este aumento» nas suas contas. «Se os municípios não estiverem disponíveis ou não tiverem capacidade para poderem acomodar no seu orçamento este aumento, vai ser refletido no consumidor e é mais um custo significativo», referiu.

Jorge Vala lembrou que «atravessamos um problema social grave que tem que ser visto em todos os contextos, não pode ser ignorado, e aqui, quer o regulador, quer a própria empresa, abandonaram completamente o momento que o país vive e empurraram para os consumidores um aumento de 8,5% na tarifa», reiterou. Esta foi uma posição corroborada por Rui Marto (PS) que afirmou mesmo que «um aumento desta natureza numa altura destas é para quem não tem bom senso, é ignorar tudo o que se passa à sua volta e fazer isto».

O presidente do Município esclareceu que não há muito que a autarquia possa fazer uma vez que é acionista minoritária da Valorlis. «O nosso voto, que tem sido de uma forma quase sistemática, voto contra, na votação das contas, porque nos geram habitualmente muitas dúvidas, não resolve nada», explica. E acrescenta: «Fazemos o que podemos e vamos continuar a fazer junto das diversas entidades mas o que é facto é que, neste momento, o tarifário já está a ser aplicado».

Jorge Vala diz mesmo que «há um conjunto de fatores que vão muito para além apenas do aumento»: «Aquilo que dizemos é que há problemas graves de gestão em que, para a empresa poder beneficiar destes aumentos, tem arranjado forma de os resultados serem negativos. Esta é a forma que tem de apresentar ao regulador, a necessidade de aumentos substanciais por forma a cobrir esses custos», acusa, acrescentando que as autarquias fazem «tudo para ter um sistema sustentável sem aumentar tarifários, a Valorlis faz tudo para ter prejuízos no sentido de poder ver os tarifários aumentados». O autarca disse estar «muito indignado com a forma pouco séria sob o ponto de vista social como a Valorlis se propõe pedir um aumento desta dimensão». Também os presidentes de Câmara da Batalha, Leiria e Marinha Grande já haviam demonstrado o seu descontentamento com a situação.