Aquando da inauguração do miradouro de Chão das Pias, na freguesia de Serro Ventoso, que decorreu no passado dia 15 de novembro,  o presidente da Câmara de Porto de Mós, Jorge Vala, aproveitou a presença do diretor regional do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) para apontar algumas críticas à entidade que “gere” o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC). O autarca começou por dizer que a comunidade de javalis no concelho é cada vez maior e que se trata de «um problema gravíssimo» porque destroem «muros, culturas e capoeiras», lamentando que ao contrário do que acontece fora do parque natural, aqui «não seja permitido fazer montarias».

Jorge Vala congratulou-se por, finalmente, nove anos depois, estarem em vigor os planos de pormenor para as áreas de pedreiras, os chamados PIER, questionando-se, contudo, se seriam mesmo necessários nove anos para aprovar um instrumento de gestão do território que todos reconhecem ser de enorme importância. Do rol de críticas consta o lamento quanto ao atraso na publicação do Programa Especial do PNSAC que irá substituir o Plano de Ordenamento do mesmo parque. De acordo com Jorge Vala, a Câmara está a concluir a alteração ao Plano Diretor Municipal (PDM) e devia acomodar nele as regras impostas pelo Programa Especial (que em termos legais se sobrepõe ao PDM), no entanto, depois de uma espera de três anos, sem que a desejada publicação acontecesse e correndo-se o risco de aqui resultarem graves prejuízos para a população, foi decidido prosseguir com a alteração ao PDM «sem acomodar este documento». «Não sei bem o que vai acontecer depois», confessou o autarca.

O autarca queixou-se também da indefinição quanto ao que fazer relativamente à chamada praia jurássica, um espaço que, segundo ele, está a degradar-se e sem haver uma solução à vista, e na demora do ICNF em autorizar a realização de uma sondagem na Fórnea para tentar perceber as condições em que ali pode ser construída uma zona de contemplação. «Queremos investir na melhoria das condições das populações e proteger o ambiente mas muitas vezes não o conseguimos» disse defendendo que o PNSAC «tem de ser uma instituição mais próxima da realidade terrena, mais próxima de nós e menos nos gabinetes e, sobretudo, compreender a vontade das populações em quererem desenvolver-se», sublinhou.

Isidro Bento | Revisão