Quando o Isidro Bento me convidou para escrever um artigo de opinião por ocasião do 38.º aniversário deste jornal, recuei no tempo. Mais concretamente oito anos. Estávamos num dos últimos dias de 2012, no Seminário de Leiria, lugar onde a jornalista Patrícia Santos me entrevistava para a edição do 30.º aniversário. Um misto de memórias e emoções que recupero.

Aquele era um ano marcado pelo encerramento de vários jornais de âmbito local e regional um pouco por todo o país. Pombal, concelho ali ao lado, era disso exemplo. Ironicamente, cinco meses após aquela conversa, mais dois se juntariam à lista. O Mensageiro (1914-2013), detido precisamente pelo Seminário de Leiria e onde eu era jornalista, e A Voz do Domingo (1933-2013), também debaixo da alçada da Diocese de Leiria-Fátima. Ambos acabariam por dar lugar ao Presente Leiria-Fátima (2013-2018), que teve o mesmo destino. Volvido todo este tempo e sobretudo depois de um 2020 de crise planetária, voltamos a estar numa situação de teste sério à sustentabilidade dos jornais regionais e locais. Por outro lado, há uma maior consciência sobre a importância do digital. Se há oito anos isso não era tão claro como agora, o efeito confinamento alterou o cenário. Com as pessoas mais online, a procura por informação credível aumentou. Consequência disso, foi as versões online de todos os media (internacionais, nacionais, regionais e locais) terem visto os acessos subirem de forma muito acentuada. No caso dos jornais regionais e locais, uns fecharam as portas, enquanto outros se adaptaram. Houve quem suspendesse a impressão e até quem a tenha abandonado, dedicando-se agora somente à versão digital. Ambiente onde também circulam boatos, “notícias falsas”, desinformação.

Aqui chegados, 2021, importa recordar que dentro de poucos meses teremos eleições para as Assembleias de Freguesia, Assembleias e Câmaras Municipais. O que significa que a (des)informação em torno de candidatos e partidos se vai intensificar nos próximos meses. Garantidamente que os media vão estar na linha da frente. Das “máquinas” dos partidos aos projetos jornalísticos. Tal como a outras escalas, nacional e internacional, é expectável que espaços como o Facebook se tornem numa importante “arena” de “combate” político. Dos perfis verdadeiros aos falsos, muito do debate se fará ali. Se assim já se esperava, antes da pandemia, mais agora, com a necessidade de distanciamento físico e limitação de ajuntamentos. Nestas alturas também costumam surgir novos jornais ou meios online, registados na Entidade Reguladora para a Comunicação Social e tudo, tentando passar a ideia de serem coisa séria, jornalística, mas que por vezes acabam por ser meros instrumentos de campanha(s). Veremos.

Quanto a si, caro/a leitor/a, fique atento. Leia O Portomosense, compre-o, assine-o e divulgue-o. E faça o mesmo em relação a outros jornais, nacionais e regionais. A sobrevivência de projetos comprometidos com o jornalismo, sério e competente, depende disso. Aqueles que têm por missão escrutinar os poderes (político, económico ou religioso), que ao nível local é uma tarefa extremamente desafiadora e desafiante. Quanto àqueles lugares onde isso já não existe, certamente são lugares onde a democracia adoeceu. E não foi de Covid-19!

Parabéns e longa vida a O Portomosense.