No início do mês de maio, foi lançado no mercado um kit de sobrevivência a incêndios, único no mundo, e que se destina a pessoas não treinadas para essas situações. O produto, que rapidamente esgotou, tem assinatura de um portomosense. Ricardo Roque, natural do Alqueidão da Serra, engenheiro mecânico e de processos de formação é o criador do kit Faraday. Em declarações a O Portomosense, Ricardo Roque diz que se pretende que esta seja «uma espécie de primeira resposta da indústria para proteger as pessoas não treinadas contra incêndios», acrescentando que este produto é «inovador a três níveis: é acessível, de baixa volumetria e baixo preço, e tem tecnologia desenvolvida e patenteada para proteger as pessoas contra aquilo que interessa em caso de fuga a incêndios, os fumos e as queimaduras».

O conjunto base é composto por uma manta Faraday, que reflete o calor, uma máscara para proteção de fumos e um par de luvas. O kit vem acondicionado num saco que pode ser facilmente arrumado num carro, por exemplo, debaixo do banco do condutor e pode ser adquirido ou reservado no site da empresa (www.faradaykit.com). Há outras variantes do produto, como o kit família, com capacidade para um adulto e uma criança, que traz uma manta maior e os outros equipamentos em duplicado. Para os barcos, a empresa criou o kit pro, que além do já referido traz um pequeno extintor de cerca de meio litro – que estará disponível a partir de junho ou julho –; e há ainda um conjunto indicado para a indústria que «vem num saco mais robusto para ser isolado contra óleos e águas» e inclui ainda umas botas especiais, segundo explicou ao nosso jornal, o criador.

A ideia começou a fervilhar na cabeça de Ricardo Roque quando «ia a passar no Pinhal d’El Rei [em Leiria], enquanto ouvia um debate na rádio [sobre a temática dos fogos] que estava a ser conduzido ao estilo de todos os outros: um painel de pessoas conhecedoras, mas que acabam por cair no rotineiro de apontar dedos, de procurar mostrar quem é que falhou e quem é que esteve bem». Percebeu então que «não podia estar a dizer que as pessoas só falavam e não faziam nada e continuar inerte», o que lhe deu motivação para «utilizar os conhecimentos de engenharia adquiridos ao longo do seu percurso académico e profissional» e encontrar algo que ajudasse nestas situações, conta.

De acordo com Ricardo Roque, «em cerca de 95% dos casos de hospitalização e morte por incêndio, [a causa] é inalação de fumos e queimaduras». O material do kit oferece «uma proteção absolutamente eficaz contra os fumos tóxicos até 30 minutos», assim como a manta Faraday que «é uma espécie de manto da invisibilidade do Harry Potter mas para o calor radiado pelo incêndio». Esta manta «reflete cerca de 95% do calor» o que significa que se a temperatura exterior for de 500 graus, quem estiver enrolado na manta sente cerca de 40. «A temperatura vai subindo devagar mas nos primeiros cinco minutos está abaixo dos 40 graus, o que dá uma janela temporal para fugir em segurança, que é o que precisamos mais em caso de incêndio: arranjar intervalos temporais para podermos fugir», explica o criador do kit. Também as luvas constantes do kit suportam as altas temperaturas, no caso até aos 200 graus. Da embalagem faz ainda parte um folheto informativo que, além de dar as instruções sobre como trabalhar com cada produto, contém «informações gerais muito importantes para as pessoas saberem o que é importante ter em conta em caso de incêndio, seja urbano ou florestal», refere.

Não se investe na fase da fuga

«O setor da proteção contra incêndios está dividido em quatro: prevenção, combate, fuga e hospitalização, sendo que 95% da indústria está concentrada no combate» e a quase totalidade do restante é investido na prevenção e na hospitalização, revela o engenheiro. «Na parte da fuga é praticamente inexistente qualquer solução para o cidadão comum», avança Ricardo Roque, acrescentando que, por isso, «faz toda a diferença que uma empresa se especialize nisso».

O jovem portomosense pretende então que a sua empresa, a Faraday GO, «se torne numa grande empresa»: «Estamos a fechar uma ronda de investimento com uma das maiores empresas da zona centro, e a ideia é tornar a empresa na autoridade de produtos de proteção pessoal contra incêndios», sobretudo para pessoas não formalmente formadas na área, sublinha o jovem portomosense.