O Salão Paroquial do Juncal, sala emblemática da Cultura no concelho, acolheu no passado dia 26, a II Mostra de Talentos do Juncal, iniciativa promovida pela Associação de Desenvolvimento Comunitário de Porto de Mós (ACMÓS). Em palco estiveram 10 talentos locais ou com ligação à freguesia.

Vindos de várias localidades, passaram pelo palco do renovado Salão, pessoas de diferentes idades, desde os “infantis” aos “seniores”, e de diferentes “campeonatos”, em termos artísticos, mas todos revelaram a mesma entrega e prazer de atuar perante os seus conterrâneos. Há quem se dedique ao seu dom de forma semiprofissional e outros cujo talento tem sido um segredo (mal) guardado.

Para apresentar o espetáculo foi convidado Miguel Leitão, filho ilustre da terra, que vai brilhando na TVI. E foi precisamente o Extra Big Brother que impediu o seu regresso ao Juncal. Numa mensagem gravada, o coordenador e editor chefe de conteúdos Big Brother Portugal justificou a sua ausência com a realização de mais um “Extra” do qual não pôde estar ausente por não ter quem o substituísse. De qualquer forma, o jovem aproveitou para se mostrar convicto de que o palco do Salão Paroquial voltaria a acolher nessa noite «muitos sonhos e muitos talentos». «Nunca desistam dos vossos sonhos porque são os sonhos que nos alimentam e nos fazem ir mais além», foi o desafio que deixou aos participantes.

Não esteve o homem da televisão, esteve o dos palcos do teatro de revista. Vítor Nascimento, outro talento bem conhecido do Juncal, que vai acumulando a atividade docente na área da hotelaria, com a paixão pelo teatro, deveria ter sido “apenas” o 10.º e último talento local em palco, mas à falta do apresentador “titular”, foi ele o escolhido para essa outra função que também conhece bem e na qual voltou a marcar pela qualidade, num registo, naturalmente, informal e descontraído de quem joga em casa.

Perante uma sala com pouco mais de meia centena de pessoas, Vítor Nascimento mostrou-se esperançado de que o atual cenário, ainda sob o efeito da pandemia, mude, e que o público português perca o medo e volte a encher as salas por onde a cultura passa. «Temos de continuar a acreditar que vamos vencer esta luta. Isto não é um exclusivo do Juncal, acontece em pequenas e grandes salas, por todo o país, mas temos de fazer com que mude», sublinhou.

Feitas as apresentações iniciais, entrou-se na mostra propriamente dita com a apresentação dos talentos juncalenses. Abriu, o jovem João Sousa, com um tema de música clássica, seguido de Manuel Chavinha com o tema Cantar de Emigração, de Adriano Correia de Oliveira, que lhe serviu de mote para evocar todos os ucranianos que saem, forçados, da sua terra natal devido à guerra. Cantou depois o bem conhecido fado Samaritana.

No terceiro momento da noite, Manuel Chavinha permaneceu sob os holofotes mas agora na companhia de José Araújo, tendo a viola dado lugar às concertinas para interpretar dois temas. A Trupe Cá de Casa, constituída por Paula Roxo e os seus dois filhos de tenra idade, apresentou uma divertida representação teatral e concluída a apresentação foi a vez de João Rodrigues, tocar e cantar dois temas de música pop/rock. Paula Roxo, voltou a seguir, desta vez a solo, para interpretar Os Meninos do Huambo, a «banda sonora da sua vida», como a classificou. A artista aproveitou para dedicar a sua interpretação à terra que acolheu há 16 anos, como bancária, e onde sempre foi «muito estimada e acarinhada por todos».

Depois da música para todos os gostos, trazida por pessoas de idades bem diferentes entre si, e do teatro, abriu-se o pano para revelar mais um talento de João Sousa, agora acompanhado por João Cruz. O grupo intitulado JJ mostrou-se bastante à vontade com uma divertida atuação de stand-up comedy. Martim Raimundo, de apenas 12 anos, brilhou com a sua concertina e logo a seguir juntou-se a ele, seu pai, Vítor Raimundo, também aluno da Escola de Concertinas Aldeia de Alcobaça, para três temas em conjunto.

A noite terminou em beleza com uma excelente prestação de Vítor Nascimento que presentou o público da sua terra com um dos momentos de um espetáculo que o grupo “alfacinha” de que faz parte irá apresentar em breve numa sala do Porto. Foi, então, com muitas gargalhadas e palmas que encerrou esta II Mostra de Talentos.

Fotos | Isidro Bento