Foto: Jéssica Silva

Instalado no edifício do Espaço Jovem, desde o dia 11 de setembro de 2019, o FabLab, o Laboratório de Fabricação Digital de Porto de Mós, tem recebido a visita de vários curiosos mas não só. Passados quase cinco meses desde a sua inauguração, O Portomosense foi tentar perceber qual a utilização que é feita deste espaço, único no distrito de Leiria, num universo de 21 FabLabs espalhados por todo o país.

Aquando da sua conceção, este laboratório foi visto pelo Município como uma aposta na inovação e no empreendedorismo. O objetivo era simples: permitir que «estudantes, investigadores, inventores ou cidadãos comuns» tivessem acesso a equipamentos de prototipagem rápida e/ou digital para que, desta forma, pudessem desenvolver novos projetos assentes na criatividade de cada um. Essa meta parece estar a ser alcançada, como adianta Rui Infante, o técnico responsável pelo laboratório, que auxilia e faz o devido acompanhamento a pessoas que não saibam trabalhar com as máquinas: «Já temos vários utilizadores que recorrem regularmente ao FabLab para executarem trabalhos e protótipos».

«Estudantes de arquitetura» a estudar em Lisboa que já conhecem o conceito dos FabLabs e que pretendem «fazer maquetes» e ainda, curiosos que só querem «utilizar as máquinas e ver como funcionam» são, talvez, os que mais procuram os serviços do FabLab. No entanto, a panóplia de utilizadores não se restringe apenas a estes dois. Todos os meses o laboratório serve de cenário para a realização de «encontros de Makers», ou seja, engenheiros das mais variadas áreas que se juntam com o objetivo de «exporem conhecimentos» e «discutirem dúvidas». No entender do vereador com o pelouro da Inovação e Empreendedorismo, Marco Lopes, e também responsável pelo projeto, estes encontros são «bastante importantes para o Município» e também para a comunidade devido ao conhecimento que abarcam, e vai mais longe: «Juntar todos os conhecimentos é o lema do FabLab de Porto de Mós». Além disso, durante o ano passado foram feitas várias visitas de estudo com elementos da «GEO Academia, IEFP Leiria e Instituto Educativo do Juncal», estando ainda a ser articuladas outras para este ano.

Um conceito desconhecido que se transformou num chamariz

«As pessoas estão interessadas em conhecer o conceito e estamos a ter bastante procura», refere o autarca. Apesar de afirmar que o FabLab foi uma «novidade para o concelho» e que poucos sabiam do que se tratava, hoje em dia considera que a população já está a começar a «familiarizar-se». Essa certeza é corroborada por Rui Infante que diz que já existem alguns utilizadores que «sabem trabalhar bem com as máquinas» sem necessitarem da sua ajuda. «Cada vez há mais pessoas. Elas vão passando a palavra e depois há quem venha experimentar, aprenda, goste e venha realizar mais projetos», acrescenta o técnico.

Marco Lopes, por sua vez, faz um balanço «bastante positivo» de funcionamento do FabLab ao ponto de, no seu entender, já estar a «superar as expetativas». Um dos fatores que pode justificar este sucesso é o preço de utilização das máquinas: «Temos preços um pouco mais baratos que outros FabLabs», sublinha. O preço fixado varia entre os quatro e os 10 euros, mas no caso de possuir um estatuto de trabalhador-estudante ou de pertencer a uma associação, esse valor desce para metade. À quinta-feira, é o chamado “open-day” que, segundo Rui Infante é o único dia em que a utilização das máquinas é gratuita.
Um espaço que oferece uma multiplicidade de ferramentas

Máquina CNC de corte, impressoras 3D, máquinas de corte a laser e vinil são apenas algumas das ferramentas de prototipagem rápida que estão à disposição dos interessados que se dirijam até ao FabLab de Porto de Mós. Aqui, são privilegiadas áreas como as artes visuais, a impressão 3D, a robótica educativa, a eletrónica criativa e a computação física. Através delas e tendo por base as ideias de vários criativos já foram desenvolvidos nove projetos: desde Troféus IndieLisboa 2019, passando pelos Arcos para as marchas da Associação dos Amigos de S. Miguel e ainda gravação em pedra, cerâmica e vidro.

Um dos projetos que está ainda a ser equacionado e por conseguinte, numa fase embrionária, tem a ver com uma parceria entre o FabLab e o Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota com o objetivo de criar réplicas de algumas peças lá disponíveis. Para isso, o laboratório está à aguardar a chegada de um scanner 3D para que os primeiros testes possam começar a ser feitos.

«Avançar na área dos drones», é outra das promessas deixadas por Marco Lopes, que justifica com o facto de ser algo que está em «grande desenvolvimento». «2020 vai ser o ano em que vamos desenvolver o nível de formação, projetos e workshops», conclui.