Cinturão negro desde os 15 anos, Vanda Alves saiu do concelho de Porto de Mós quando foi estudar Gestão para o Ensino Superior e se fixou na Maia, distrito do Porto, mas foi em Mira de Aire, de onde é natural, que começou a prática do karaté, com apenas seis anos. Quase duas décadas depois, a atleta sagrou-se campeã mundial de Goju-Ryu em Katá Equipa, no passado fim de semana, em Foligno, na Itália, título que junta assim ao Campeonato do Mundo de 2017 e ao Campeonato Europeu de 2018.

Com ela, foram campeãs Ana Viana e Joana Martins, federadas pelo mesmo clube onde Vanda Alves treina há seis anos, o Clube de Karaté de Goju-Ryu do Porto, que sucedeu à Escola de Karaté de Mira de Aire nos emblemas que a mirense já representou. Na final do torneio, as três representantes de Portugal encontraram a equipa da República Checa: «Era uma equipa que sabíamos que nos ia dar luta, porque já são bastante conhecidas e têm alcançado muito bons resultados», refere. O conjunto português, no entanto, ganhou 5-0 e assegurou o primeiro lugar do pódio.

Apesar da vitória, Vanda Alves não recebeu «absolutamente nada com isso para além da medalha e da experiência». O financiamento é uma das dificuldades na modalidade, sendo que, como explica, quem pratica o desporto fá-lo «pelo amor à camisola», dado que «ainda não há ninguém que consiga viver apenas do Karaté em Portugal». Vanda Alves relatou que foi a própria que teve «de acarretar com todos os custos, à exceção da inscrição, que foi paga pelo clube». «Até o próprio equipamento, pólos de Portugal», teve de ser a karateca a pagar, dado que a Liga Portuguesa de Karaté do Goju-Ryu «não tem disponibilidades para ajudar os atletas» e a única forma que que estes têm para «receber financiamento é com patrocínios». Será também nestes moldes que Vanda Alves irá participar em futuros campeonatos europeus (Bruxelas 2023) e mundiais (Argentina 2024) da modalidade.

Portugal esteve representado no Campeonato do Mundo de Foligno por 98 karatecas, que conquistaram um total de 67 medalhas.