Foto: Armindo Vieira

Pelo segundo ano consecutivo, o projeto Lagoa com Vida terminou com balanço positivo, apesar de algum contratempo que existiu, pelo menos esta é a opinião do presidente da União de Freguesias de Arrimal e Mendiga, Jorge Paulo Carvalho. «Correu muito bem, apesar do tempo não ter ajudado, mas mesmo assim foi bom», isto além de «ter acontecido um problema com familiares de responsáveis pela coletividade do lugar da Cabeça Veada, que condicionou a participação daquele lugar na iniciativa». O evento teve lugar nos passados dias 22 e 23 de junho.

O projeto Lagoa com Vida, iniciado em 2018, foi criado com o objetivo de dar mais vida à zona da Lagoa Grande e área envolvente, espaço até ali já procurado por muita gente e que com esta iniciativa atrai muito mais pessoas. Aliado ao espaço da Lagoa Grande, os visitantes têm oportunidade de apreciar as belezas naturais existentes por ali, nomeadamente a Lagoa Pequena.

Trata-se de uma iniciativa promovida pela União de Freguesias de Arrimal e Mendiga em parceria com as associações e ranchos folclóricos da freguesia, procurando que o local se torne cada vez mais conhecido e atrativo, por isso conseguiram trazer para a lagoa cerca de uma dúzia de canoas que deliciaram os visitantes, refrescando-se a passearem na lagoa.

A par desta atração foram criadas bancas de artesanato e várias tasquinhas, da responsabilidade das associações que ali trouxeram os seus acepipes tradicionais e outros comes e bebes, assim como os apetecidos bolos fritos, café da avó e outros.

O autarca, que faz «um balanço muito positivo», da edição deste ano de Lagoa com Vida, explica que «este ano foi diferente do ano passado», uma vez que se juntou o Festival de Folclore da Lagoa Grande e, também se «passou de três fins de semana para um só», o que se deve ao facto de «as associações terem já elaborado os seus planos de atividades e os seus programas», sendo que «tendo em consideração ao investimento feito pela autarquia, não se justificaria mais que um fim de semana».

Visivelmente satisfeito pelo resultado final, Jorge Paulo Carvalho, diz que «foram 12 canoas que estiveram sempre na lagoa», pois mesmo a chover no domingo «elas não pararam». Outra das novidades deste ano, foi a da «celebração da missa dominical numa tenda instalada no espaço envolvente da Lagoa Grande», como refere o presidente da União de Freguesias, adiantando que naquele domingo «foi a única celebração religiosa na freguesia, que envolve duas paróquias, Arrimal e Mendiga».

Não obstante este ano ser diferente, a organização do evento, por via do mau tempo, teve de fazer tudo no mesmo espaço, que se tornou exíguo, tanto para o funcionamento das tasquinhas como para o Festival de Folclore.

Por isso, verifica-se que «há pequenos ajustes a fazer no próximo ano», revela o autarca adiantando que há que «ter em consideração a realização do Festival de Folclore também na tenda», mas «terá de haver espaço para as tasquinhas e suas mesas» e, ao mesmo tempo «espaço para os ranchos folclóricos atuarem, sem haver choque entre ambas as situações».

O Festival de Folclore

O XXIX Festival de Folclore da Lagoa Grande teve lugar na tarde do passado dia 23 de junho, este ano incluído no projeto Lagoa com Vida. Apesar do dia se apresentar chuvoso, um número razoável de público esteve, no espaço envolvente da Lagoa Grande de Arrimal, para participar no evento global e, bem assim, no festival em particular.
Este ano a organização do festival coube ao Rancho Folclórico Luz dos Candeeiros, de Arrimal, da União de Freguesias de Arrimal e Mendiga que, no Centro Cultural, Recreativo e Desportivo de Arrimal, obsequiou os participantes e convidados com um almoço, durante o qual houve oportunidade de um alegre e interessante convívio.

Chegada a hora do festival e, atendendo a que o tempo não se oferecia muito seguro, aquele teve de se realizar na tenda ali colocada para as tasquinhas e celebração da missa dominical, tornando-se o espaço bastante exíguo.
A anteceder o evento, que se iniciou com um pequeno desfile etnográfico, foram entregues lembranças aos grupos participantes e aos convidados, seguindo-se palavras de circunstância, iniciadas por Adélio Amaro, presidente da Associação Folclórica da Região de Leiria – Alta Estremadura, que se referiu ao festival como «um grande festival, realizado num local excelente».

Em representação da Federação do Folclore Português estava Maria Emília Francisco que, na altura própria, cumprimentou os grupos presentes como «os verdadeiros representantes dos usos e costumes de todo o país».
Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós, Jorge Vala, referiu que a realização destes dois eventos em conjunto «é uma forma de coesão, pelo facto de estarem ali presentes, todas as associações da freguesia».

O festival propriamente dito abriu com a atuação do rancho anfitrião, o Luz dos Candeeiros, que mais uma vez “em sua casa” mostrou os seus usos e costumes.

Seguiu-se o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca, fundado em 1972, que trouxe a Arrimal os usos e costumes do povo arouquense (Douro Litoral Sul), fruto da sua recolha e preservação. De Alverca do Ribatejo, veio o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arcena (Ribatejo) que mostrou vários quadros etnográficos regionais, nomeadamente o amolador, o cavador, o engraxador, as vendedeiras de leite e queijos e, ainda, o padeiro. O Rancho Etnográfico de Santiago do Bougado, que veio da zona da Trofa (Douro Litoral Norte), mostrou ali os usos e costumes daquela região duriense. Do concelho de Tomar (Alto Ribatejo), o Rancho Folclórico e Etnográfico de Alviobeira, com os seus trajes, modas e danças oriundas da sua região, a que juntou alguns tabuleiros da sua participação na grande Festa dos Tabuleiros de Tomar.

Anunciada estava a atuação do Rancho Folclórico da Sociedade Recreativa da Cabeça Veada, também da União de Freguesias de Arrimal e Mendiga, mas por motivos de problemas havidos com familiares de elementos do agrupamento não participou.

Recorde-se que o Festival Nacional de Folclore da Lagoa Grande, é organizado pelos Ranchos Folclóricos Luz dos Candeeiros, nos anos ímpares, e da Sociedade Recreativa da Cabeça Veada, nos anos pares, com a finalidade de recordar uma feira que em tempos ancestrais se realizava por ocasião do São João, naquele local.