Há já algumas semanas que os utentes e os funcionários das estruturas residenciais para idosos do concelho, assim como de todo o país, estão vacinados contra a COVID-19. Os lares ou similares foram dos espaços que mais tiveram que alterar as suas dinâmicas de funcionamento, para evitar os contágios e foram seguindo as normas emanadas pela Direção-Geral da Saúde (DGS). O contacto com os familiares esteve durante um longo período limitado aos meios de comunicação digitais, as saídas ao exterior proibidas, a não ser por motivos médicos e as atividades dentro das instituições começaram a ser feitas de forma individualizada e não em grupo. A pergunta que se coloca é: a vacinação veio permitir aligeirar estas medidas? Segundo as últimas orientações da DGS as visitas e as saídas são permitidas, no caso das saídas, ao contrário do que era necessário inicialmente, os idosos já não precisam de ficar em isolamento 14 dias se saírem por períodos superiores a 24 horas, desde que estejam vacinados ou caso tenham estado infetados nos últimos três meses. Também nas novas admissões nestas estruturas as regras mudaram: os utentes que tenham cumprido o fim do isolamento nos últimos 90 dias ou que já estejam vacinados não precisam de ficar em isolamento no momento da admissão. Caso não estejam vacinados ou não tenham histórico de infeção nos últimos 90 dias, devem apresentar teste negativo.

Saídas só em casos necessários

Teresa Filipe é diretora técnica do Abrigo Familiar Casa de São José de Mira de Aire, uma instituição que em determinada altura teve de lidar com um surto. Por isso mesmo, «o medo» é ainda hoje uma constante: «Penso que as instituições que tiveram surtos têm muito medo porque foi muito mau, é uma situação tão difícil que acaba por marcar». Estes receios levam a que o aligeirar das medidas seja também mais contido. «As visitas mantêm-se iguais desde que tivemos o surto. Uma visita por semana, ainda sem proximidade e por marcação, a esse nível a vacinação não veio alterar nada», explica. Já nas novas admissões, e seguindo as normas já explicadas da DGS, houve alterações: «Se o utente tiver as duas doses da vacina já não fica em quarentena». Nas saídas, embora sejam permitidas, a instituição também tem sido cautelosa. «Ainda não demos luz verde total, ou seja, ainda não saem todos para ir a casa, só facilitamos em algumas situações e sempre com muita preocupação», admite Teresa Filipe. Os idosos que já têm saído para visitar os seus familiares são sobretudo os que «estão a ficar muito deprimidos, geralmente mais instáveis e com mais dificuldade em gerir as ausências», frisa.

A diretora técnica salienta que todos estes cuidados têm a ver sobretudo com a realidade exterior. «É importante manter estes cuidados porque na comunidade há muita gente que não foi vacinada e quando um idoso com alguma dependência sai, exige um contacto muito próximo, tem de ser alimentado, tem de ser ajudado a ir à casa de banho», salienta. Quanto às atividades dentro do próprio lar, começaram a ser novamente alargadas. «Já se fazem atividades em grupo, só ainda não se fazem atividades com outras instituições como se fazia», conclui.

Na outra ponta do concelho, no Solar do Povo do Juncal, o cenário é idêntico. «Ainda estamos como estávamos na fase anterior à vacinação, as visitas acontecem nos mesmos moldes que aconteciam. Para os quartos só entram pessoas equipadas para ver os idosos que estão acamados, as outras visitas continuam no espaço próprio que arranjámos para o efeito com acrílicos a separar os familiares dos utentes», explica Ana Sampaio, diretora técnica da instituição. Quanto aos encontros exteriores com os familiares, ainda não estão a ser feitos. Apesar das normas da DGS permitirem as saídas, a responsável lembra que depois desses encontros «o utente deve proceder ao distanciamento necessário», que nem sempre é fácil de cumprir em utentes com tantas dependências. «Nós falámos com as famílias em deixar andar mais um bocadinho, já que o trabalho tem sido tanto, achamos que devemos aguentar mais um pouco para o bem de todos, porque há muitos familiares que não estão vacinados», conta. As atividades continuam também «limitadas» e os utentes separados: «Temos um grupo que vem à sala de convívio e sala de refeitório e outro grupo de utentes mais dependente que ainda continua nas salas dos pisos superiores ou nos quartos». O facto da «educadora social estar de baixa há algum tempo» também tem condicionado as atividades, embora isso não esteja a causar preocupação «precisamente devido às limitações que têm existido».

Na Associação de Bem-Estar da Cruz da Légua a realidade também não difere muito. «As visitas continuam a decorrer com o vidro a separar os familiares dos utentes», explica Joana Paulo, técnica superior de Serviço Social. Já as saídas estão a acontecer, mas não de uma forma recorrente: «Estão a sair apenas nos casos em que necessitem mesmo de fazê-lo, mas antes só saiam para consultas mesmo urgentes, agora não», explica. «As atividades normais» da instituição estão de regresso e já acontecem em grupo, embora continuem «a existir algumas restrições, já não são tão rígidas» como eram antes da vacinação.

Todas as associações foram unânimes em relação aos cuidados de higienização e proteção das funcionárias e da própria instituição que continuam a ser «muito rigorosos». O único aligeirar neste campo salientado foi «a possibilidade de trabalhar sem viseira», um equipamento que dificultava o trabalho. Até aqui os funcionários dos lares e similares faziam também testes regulares, o que vai deixar de acontecer, uma vez que a Segurança Social vai deixar de promover estes testes, sendo que a partir de agora são feitos apenas em caso de suspeita. Para este trabalho, O Portomosense contactou também a Santa Casa da Misericórdia de Porto de Mós, que referiu não ter neste momento disponibilidade para responder às questões, informando no entanto que «emitirá um comunicado com as informações agora solicitadas e que o fará publicar na página oficial da Instituição».