A batalha pela melhoria significativa do serviço de comunicações móveis e de internet na quase totalidade das freguesias serranas do concelho e em pequenas “franjas” de outras está aí em força. Todos têm a noção que é agora que se trava o “tudo ou nada” e daí o empenho reforçado mas nem sempre articulado de autarcas, deputados da nação e população local.

Neste momento há largas dezenas de crianças e jovens impossibilitados ou com grandes dificuldades em assistir às aulas online por na zona onde vivem o acesso à internet ser de tão fraca qualidade que, na prática, quase se pode dizer que é inexistente. E é, precisamente aí, nessa debilidade, que poderá estar a força capaz de mudar o cenário negro de que todos se queixam.

«O direito à Educação está inscrito na Constituição. Se os nossos filhos não conseguem participar nas aulas como os outros, o Estado está a negar-lhes um direito fundamental e a discriminá-los», explica a mãe de uma das crianças afetadas. A esperança de muito pais e dos autarcas é, então, que este argumento seja suficientemente forte para fazer com que o próprio Estado intervenha e se resolva o problema.

«Se não for agora, dificilmente o será nos próximos tempos porque os operadores preocupam-se em primeiro lugar com o lucro. A operação em si acarreta, no imediato, mais despesas que lucros, mas não é problema nosso, o Estado tem que garantir a prestação de serviços públicos essenciais e este é um deles», reforça esta mãe.

Para já, há uma pequena vitória: o presidente da Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM), irá estar em Porto de Mós, no próximo dia 1 de julho. O convite partiu da Câmara que, espera assim, que o responsável conclua por si próprio, no terreno, que uma coisa são as taxas de cobertura anunciadas pelas operadoras, outra é a realidade no local e essa mostra, segundo o presidente do Município que num território supostamente coberto a 90% com tecnologia 4G, há muitas zonas que «não têm rede de voz, quanto mais 3 ou 4G».

O problema já chegou à Assembleia da República e foi na Comissão Parlamentar de Economia, quando questionado pelo deputado do PCP, Bruno Dias, que o presidente da ANACOM anunciou que viria a Porto de Mós. Também no Parlamento, os deputados de Leiria do PSD, entre eles a portomosense, Olga Silvestre, dirigiram duas perguntas ao ministro da Economia e Transição Digital, nomeadamente quando terão os alunos das freguesias afetadas e a população em geral acesso à internet em boas condições e se isso acontecerá até ao arranque do novo ano escolar.

Entretanto, e depois da ideia de uma manifestação em Lisboa não ter vingado, pais e autarcas da freguesia, avançam com outras formas de luta. Um pequeno grupo irá marcar presença na Assembleia Municipal marcada para esta sexta-feira e além de expor a situação deverá entregar à presidente da Assembleia, cartas onde algumas das crianças impedidas de participar nas aulas online falam, precisamente, desse drama. Outro projeto em marcha é o de, literalmente, inundar, com reclamações, a caixa de correio eletrónico, dos provedores do cliente ou serviços de apoio das várias operadoras. O movimento nascido em Serro Ventoso mas que cedo se estendeu a outras freguesias está também a incentivar a que os munícipes que se sintam lesados aproveitem o período de discussão sobre o leilão de 5G, para fazer chegar à ANACOM as suas reclamações ou reivindicações.