Desde junho do ano passado que um “depósito” de pneus se tem amontoado em Mira de Aire, mais concretamente «num caminho conhecido como o Caminho dos Moinhos, na estrada que vai para São Mamede e para o bairro residencial por cima do Estádio da União Recreativa Mirense», explicou a O Portomosense o presidente de Junta de Freguesia, Alcides Oliveira. A situação já vinha a preocupar o executivo da freguesia há vários meses: «Quando começou, fizemos queixa na GNR, que depois procedeu à investigação e, que passados meses, enviou o resultado da investigação que foi inócua, não havia meio de identificar os responsáveis», revelou o autarca. Os pneus continuaram «a ser descarregados» no mesmo local: «Como a Junta não tem meios para transportar os pneus, pedimos a colaboração da Câmara Municipal de Porto de Mós que não tinha camiões nem operadores de carros pesados para vir fazer o levantamento».

A Junta, «tendo em conta que a situação já se estava a arrastar e porque, mais uma vez, se vive um período de seca extrema, propício a incêndios», decidiu «avançar» com uma ação de recolha no passado dia 16 de julho. «Pedimos a colaboração de algumas pessoas e estiveram envolvidas cerca de 25», indicou o presidente, que não foi o único autarca a estar presente. «Estiveram três presidentes de junta, de Serro Ventoso (Carlos Cordeiro), São Bento (Luís Ferraria) e de Alqueidão da Serra (Filipe Batista)», o que no entender de Alcides Oliveira é revelador da «união que existe no concelho»: «Não estamos fechados nas freguesias. Na reunião mensal que temos entre as Juntas e o executivo da Câmara Municipal, tem-se notado que nós caminhamos para o mesmo lado e é óbvio que situações ligadas ao ambiente não atingem especificamente uma freguesia, atingem-nos a todos». Foram precisamente os presidentes de junta a levar algumas das carrinhas, da junta e de particulares, que serviram para transportar estes pneus recolhidos (mais de 1 200 pneus, 9 380 quilos) para uma empresa de reciclagem. A Junta contou ainda com a colaboração de associações da freguesia, entre elas a Mira-Minde, Mata Jovem e o Grupo 276 – Escoteiros de Mira de Aire, que se fizeram representar com alguns elementos.

Alcides Oliveira deixou críticas a quem comete este tipo de atitudes. «Só revela a falta de cuidado das pessoas em situações relacionadas com o ambiente, a falta de civismo e também de ponderação porque era um perigo que ali estava numa época de fogos, se porventura tem existido um fogo ali, este depósito de pneus era muito complicado de apagar», frisa. O presidente diz que não desconfia de ninguém em concreto, «infelizmente»: «Inicialmente, atendendo às descargas que havia, pensei que fossem particulares, mas agora, o volume e o número de pneus já me leva a querer que terá sido uma empresa ou mais do que uma, nomeadamente recauchutagens, não necessariamente aqui de Mira de Aire ou de Minde».