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Mariana Mortágua: «Nesta zona, seis em cada 10 pessoas não têm médico de família»

23 Janeiro 2024
Bruno Fidalgo Sousa

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Bruno Fidalgo Sousa

23 Jan, 2024

Com a entrada em funções da Unidade de Saúde Familiar (USF) Aire e Candeeiros – o que preconiza uma mudança do panorama da Saúde no concelho -, ao qual se acrescenta a proximidade das eleições legislativas antecipadas de 10 de março, algumas forças políticas manifestaram junto da USF e da Ur’Gente (comissão de utentes de saúde de Porto de Mós), a vontade de «conhecer a realidade» do concelho no que a esta área diz respeito, conforme explica a O Portomosense a referida comissão.

O Bloco de Esquerda (BE) tomou a dianteira e, no encontro do passado dia 3 de janeiro, trouxe à vila sede de concelho não só o médico de Medicina Geral e Familiar e cabeça de lista do BE pelo distrito de Leiria, Rafael Henriques, como a própria Coordenadora Nacional do partido, Mariana Mortágua.

A verdade é que as declarações públicas da líder partidária se centraram muito mais no panorama nacional, com especial incidência para a falta de recursos humanos: «Todos nós temos a noção de que a situação do Serviço Nacional de Saúde (SNS) é muito frágil e que só se mantém com o esforço de muitos profissionais que trabalham muitas horas extra». Mariana Mortágua relacionou esse facto com a situação em Porto de Mós, salientando que, «nesta zona, seis em cada 10 pessoas não têm médico de família, o que quer dizer que mais de 60% dos utentes não conseguem ter acesso a serviços de saúde». Segundo o BE, a USF Aire e Candeeiros, «jovem» e «motivada», tem «apenas quatro dos onze médicos de família necessários para responder aos seus cerca de 15 000 utentes».

Como tal, o BE acredita que «são urgentes medidas que reforcem o Serviço Nacional de Saúde e o tornem atrativo para a fixação de médicos, especialmente em zonas de maiores carências, nomeadamente, exclusividade facultativa para médicos com aumento remuneratório de 40%, subsídio de penosidade, incentivos para fixação em zonas carenciadas e autonomia das unidades na contratação de profissionais». Ideias que a Ur’Gente, em jeito de balanço, considera «importante» conhecer, com o desejo de «nos próximos três anos, fazer da nova Unidade de Saúde um caso de sucesso no panorama nacional».

A comissão de utentes, na pessoa do seu presidente da direção, João Amado Gabriel, frisou que já há cerca de 17 anos que aponta este modelo «como aquele que deveria ser adotado em Porto de Mós». Ainda assim, fala de uma implementação num «contexto tardio e muito difícil, não só por fatores externos (grave crise na Saúde) mas também internos (resistência à mudança)». O próximo passo diz ser «a revisão dos Estatutos», que será proposta aos sócios, «para acomodar esta nova realidade ao objeto social da Ur’Gente. Como previsto desde a fundação, chegou a hora de representarmos formalmente todos os utentes de Porto de Mós (USF Novos Horizontes e USF Aire e Candeeiros) junto da Administração da Saúde», garante a direção.

Foto | DR

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