Entre 80 a 85% das pessoas que morreram por COVID-19 teriam sobrevivido se tivessem tomado ivermectina. Esta é a convicção de um grupo de médicos, farmacêuticos, professores universitários e investigadores na área da Saúde, entre os quais se encontra Henrique Carreira, assistente graduado de Medicina Geral e Familiar. O médico de Porto de Mós é um dos rostos do grupo informal que reclama do Infarmed e da Direção-Geral da Saúde (DGS) uma posição oficial sobre este medicamento antiparasitário que, a bem da saúde pública, da sociedade e da economia, querem ver utilizado oficialmente «na quimioprofilaxia e tratamento domiciliário precoce» da COVID-19.

Os envolvidos nesta batalha defendem que a experiência «bastante bem sucedida» que já muitos têm da prescrição daquela substância e «as dezenas de estudos internacionais realizados» são elementos suficientes para provar a eficácia e a segurança do medicamento para este fim específico. Assim, o reconhecimento da ivermectina como medicamento eficaz no combate à COVID-19 e a definição de um protocolo clínico para a sua administração contribuiriam, no entender de Henrique Carreira e seus pares, para uma «uma redução significativa da mortalidade deixando, ainda, de haver milhares de pessoas a ocupar camas hospitalares, que são necessárias para as outras doenças que ficam sem tratamentos, porque está tudo entupido com COVID-19».

As duas entidades, apesar de terem manifestado disponibilidade para analisar o assunto, continuam, para já, alinhadas com a Organização Mundial de Saúde e com as agências europeia e norte-americana do medicamento. Não recomendam a utilização da ivermectina por considerarem que «não existem provas científicas da sua eficácia e segurança».

À conversa com o nosso jornal, o clínico portomosense diz que a discussão em torno da ivermectina começa logo eivada pelo preconceito: «É um produto para os piolhos e como tal é visto como um produto menor. Ninguém olha para ele como deve olhar, quando, afinal, é um medicamento nobre, que serve para o tratamento dos piolhos, sim, mas que tem também um efeito anti-inflamatório brutal que evita toda aquela complicação que a COVID-19 acarreta», realça.

De acordo com Henrique Carreira, o primeiro estudo que veio provar que esta substância é eficaz conta já com um ano. Experiências levadas a cabo na Austrália terão mostrado que «a ivermectina, aplicada em células renais infetadas, destruiu, em apenas 24 horas, 90 e tal por cento do vírus». Depois disso, ter-se-ão seguido outros estudos com resultados idênticos. Países como a Eslováquia, a Roménia e a Bulgária já estão a usar a ivermectina nos seus serviços nacionais de saúde, refere.

Mas como é que algo criado para combater a sarna, os piolhos e as lombrigas pode, afinal, ser usado para vencer um tipo de vírus associado a uma infeção respiratória grave? É simples, responde. «A utilização de um medicamento para um fim diferente daquilo para que originalmente foi criado é algo bastante comum. O viagra, por exemplo, foi concebido para tratar cãibras arteriais dos membros inferiores, mas, como tem uma ação vasodilatadora, percebeu-se que causava ereções. Então, continua a ser usado em contexto hospitalar para a chamada isquemia dos membros inferiores, mas também, e cada vez mais, na área da disfunção sexual», diz.

Mas então, se as autoridades não recomendam a ivermectina, os médicos que a prescrevem estão “fora da lei”? «Não, de forma alguma. A utilização de um medicamento registado para uma determinada patologia, para outro fim, é perfeitamente legal», desde que realizada por um médico. Para o clínico, ponto de honra é o consentimento informado: não receita a substância «sem que a pessoa tenha acesso a toda a informação e decida se quer submeter-se ao tratamento».

Confrontado com as principais críticas feitas aos defensores do uso da ivermectina, Henrique Carreira tem resposta para todas. Assim, no seu entender, os estudos já realizados têm a necessária valia científica, «não sendo preciso nenhum outro, “xpto” e altamente robusto», até porque «as cerca de 14 mil pessoas já tratadas em todo o mundo» serão a prova viva da eficácia do medicamento. Quanto à eventual toxicidade do produto, considera que «é muito baixa, quase zero, e menor que a do paracetamol», desvalorizando ainda a meia dúzia de casos de hepatite tóxica reportada por médicos brasileiros. Daquilo que conhece, não passam de «atoardas mandadas para o ar sem que sejam concretizadas». Além disso, alerta, «há gente que toma estupidamente mal o medicamento e tudo o que é em excesso é prejudicial».

Para o médico portomosense, a ivermectina é, para já, o único fármaco que dá a resposta imediata de que as pessoas, o país e o mundo precisam no atual contexto de pandemia. Nem o facto da Merck, que deteve a patente do produto, já ter vindo, em comunicado, afirmar que, «até ao momento, da análise aos estudos pré-clinicos realizados» não ter encontrado «qualquer base científica para um efeito terapêutico potencial contra a COVID-19», nem mesmo «prova científica significativa para atividade clínica ou eficácia clínica em doente com COVID-19», o demove dessa sua firme convicção.

Pelo contrário, Henrique Carreira contesta estas afirmações citando inúmeros estudos que diz provarem a mais-valia da ivermectina e explica que a tomada de posição da Merck não é inocente: «Diz isto porque vai lançar em breve um produto que já tinha para tratar a gripe vulgar e que não teve resultado nenhum e que agora vai reposicionar para a COVID-19. Se [o medicamento] funcionar, ótimo. Tudo o que venha é bom. A empresa não devia era vir a público pôr em causa um outro produto perfeitamente seguro e que tem uma eficiência fantástica altamente comprovada quando administrado no momento e na dose certa», conclui.

“Acreditar na ivermectina não é uma questão de fé”

«Eu acredito na ivermectina e na sua eficácia no tratamento precoce não por qualquer crença mística ou religiosa, mas porque vivenciei e vivencio experiências que o comprovam», diz Henrique Carreira, o médico de Porto de Mós que se tem destacado na defesa deste produto antiparasitário como uma solução segura, eficaz e barata na prevenção e no combate à COVID-19.

Desde outubro de 2020, já tratou mais de 200 pessoas, teve quatro doentes hospitalizados (já recuperados) e não regista qualquer falecimento, e é muito com base nessa experiência pessoal que recomenda a ivermectina.

Depois de em outubro ter tratado com sucesso «meia dúzia de pessoas», a verdadeira “prova de fogo” aconteceu já este ano no lar de idosos de que é responsável clínico, no Alqueidão da Serra. De uma assentada, dos 29 utentes da instituição, 21 ficaram infetados com COVID-19, e a estes juntaram-se quatro funcionárias. Assim que o surto se tornou do conhecimento público, houve quem temesse o pior, afinal esse era o cenário que todos os dias lhe entrava em casa trazido pelas televisões. Felizmente, aqui o desfecho foi outro, muito melhor, e Henrique Carreira não tem quaisquer dúvidas que a administração da ivermectina foi o elemento que fez a diferença.

Alguns dos idosos, com idades compreendidas entre os 80 e os 90 anos, estiveram sempre assintomáticos, outros evidenciaram os sintomas mais comuns da doença. «Ao fim de oito dias, metade testou negativo e os restantes já não apresentavam sintomas. Uma funcionária, por sua vez, passados dois dias estava como nova, enquanto que as outras, que optaram por não tomar, passaram um pouco pior», conta o médico, visivelmente satisfeito com este «êxito completo».

O clínico portomosense que já vinha a acompanhar com grande interesse, desde abril de 2020, o relato de casos de sucesso no tratamento da COVID-19 com ivermectina, teve aqui, literalmente, a confirmação de experiência feita, considera. A notícia correu célere e, em pouco tempo, passou a acompanhar doentes não só do concelho como de vários pontos do país. Os pedidos de esclarecimento e de aconselhamento por parte de outros colegas médicos têm surgido também com frequência. Henrique Carreira sublinha que, tanto a uns como a outros, nunca voltou as costas. É com satisfação que vê que, tanto em Porto de Mós como no país, há cada vez mais médicos a olharem para a ivermectina como uma forma eficaz e segura de tratar a COVID-19. Na sua opinião, se outros ainda não lhes seguiram o exemplo «é porque estão demasiado agarrados ao sistema, limitando-se a seguir regras e orientações, sem nada questionarem, muito menos experimentarem». «Acreditar na ivermectina não é uma questão de fé, mas uma evidência», reforça.