«Encontro-me numa encruzilhada. Quero ser solução e não quero ser problema», foi assim que Telmo Conceição começou a sua intervenção no tempo dedicado à participação do público, na última sessão da Assembleia Municipal (AM) de Porto de Mós. Em causa está a concretização de um monumento comemorativo do 25 de Abril, concebido e proposto pelo próprio ao executivo e apresentado, depois, na AM. «A partir de janeiro hipotequei-me, dei a minha colaboração e começou-se a fazer uma estátua», adiantou. De acordo com Telmo Conceição, a 13 de abril, terá falado com o escultor para saber se este tinha recebido «alguma requisição para os serviços e os materiais da estátua por parte da Câmara», tendo obtido uma resposta negativa, que se repetiu no dia 18, previsto para a entrega do memorial. «Então coloca-se a estátua em minha casa», decidiu. «Não quero ferir suscetibilidades, mas quero defender a verdade até às últimas consequências», afirmou. Telmo Conceição quis ainda salvaguardar que o «lanche» organizado em sua casa no dia 25 de abril não foi uma inauguração do monumento: «Penso que não é crime convidar amigos para um lanche. Não podem dizer que eu fiz uma inauguração. Fiz convites, inclusive aos senhores presidente e vice-presidente e referi na altura que não eram para o presidente e vice-presidente, mas para os meus amigos Jorge Vala e Eduardo Amaral», avançou, questionando se «daqui a dois anos, quando se comemorar efetivamente o cinquentenário do 25 de Abril, está de pé [a ideia de inauguração]».

A resposta veio, em primeiro lugar, do presidente da Câmara, Jorge Vala, que confirma o convite recebido, mas ressalva que, «na altura, [Telmo Conceição] teve o cuidado de não dizer para o que era». Salientando que, «em sua casa, cada qual faz o que muito bem lhe apetece», frisa que «o 25 de Abril não é de nenhum partido, instituição ou organização, nem sequer de uma pessoa ou de outra, o 25 de Abril é do povo português» e, por isso, «não pode uma qualquer pessoa individual querer representar o seu significado» ou celebrar a data «em sua casa, não é possível». O autarca acrescentou que «o assinalar dos 50 anos do 25 de Abril é institucional» e, por isso, «em nenhuma circunstância deve ser assunto de análise, discussão e decisão em conversa de café. O 25 de Abril merece muito mais do que isso».

Inauguração do monumento em causa

O presidente convidou o vereador da Cultura, Eduardo Amaral, que é quem tem acompanhado a situação, a tomar da palavra. O também vice-presidente acusou Telmo Conceição de dar a conhecer «só a parte introdutória da questão», esquecendo-se «do conteúdo e do recheio da obra completa». Eduardo Amaral reconheceu que o projeto foi concebido por Telmo Conceição, que tinha como objetivo inaugurá-lo este ano, porém, para o executivo, «não fazia sentido» fazê-lo agora, quando em 2024 será «o culminar de toda esta estratégia» de comemoração dos 50 anos e, então aí, seria feita a inauguração. Até lá, e porque esse memorial é composto por várias peças, elas seriam distribuídas por diversos locais: «Algumas que estão a ser produzidas nas Pedreiras, fariam parte da exposição itinerante; o senhor Telmo tinha uma que ficaria em sua casa; e a parte do militar, que estava a ser produzida por Paulo Honorato, ficaria no hall da Câmara», explicou. «O Município passou uma requisição ao autor da peça, que já teve oportunidade de transmitir isso mesmo ao senhor Telmo. Estávamos em condições de pagar e estranhámos a peça estar num jardim particular. Perguntei ao senhor Telmo o porquê e ele não me soube responder», revelou o vice-presidente. «Houve aqui, na nossa perspetiva, uma utilização indevida», atirou, explicando que, por isso, não marcou presença no tal lanche para que também foi convidado. Eduardo Amaral afirmou que «o que vai ser do futuro» não sabe, «porque as regras foram alteradas». Assim sendo, é agora, na sua opinião, «um momento de refletir em conjunto, analisar e ver se ainda se enquadra ou não no projeto» da autarquia para as comemorações.