Um grupo de moradores da União de Freguesias de Arrimal e Mendiga esteve na última Assembleia Municipal (AM) para pedir à Câmara a rápida e eficaz resolução do problema de falta de água que tem afetado a Mendiga e lugares limítrofes.
Irene Pereira, antiga vereadora, deu a voz às preocupações e ao desalento da população local deixando um veemente apelo para que se resolva o problema com urgência porque «os serranos não são nem mais, nem menos que as outras pessoas do concelho, têm o direito a ser abastecidos com água». De acordo com a moradora, «a população das freguesias serranas há muitos anos que se debate com o problema». No seu caso é «de há um ano para cá», mas «há pessoas na Bemposta a lidar com isto há 18 anos».
«O senhor que costumava vir aqui reclamar, já morreu e eu espero que isto se resolva antes de eu morrer, o verão passado foi infernal», afirmou. «No ano passado houve um esforço no sentido de substituir uma série de condutas e as pessoas acreditaram que o problema tinha ficado resolvido. Mas, eis que começa a fazer calor e já vamos outra vez em não sei quantos cortes», disse, com desalento.
Atual proprietária de um alojamento turístico, Irene Pereira deixou claro que não acredita que «o Município tenha prazer em prestar um mau serviço às populações». Pelo contrário, está certa de que este «faz pelo melhor» mas, no seu entender, isso já não chega, «é preciso fazer mais porque já são muitos anos» nesta situação.
Irene Pereira recordou que «a população da serra sabe viver com pouca água. Nos anos 50 do século passado teve de construir dois sistemas de aproveitamento de água das chuvas para não morrer à sede no verão e ainda hoje essa água é utilizada» No entanto, frisou, «não peçam que continuemos com esse sistema». «Se já não temos saneamento porque é uma coisa muito cara para fazer na serra, e nós compreendemos isso, então, pelo menos, que tenhamos água», pediu.
Uma das causas apontadas para algumas interrupções no fornecimento é a ocorrência de ruturas por obstrução das condutas com calcário. Tendo em conta isso, levantou a hipótese de se poder fazer «um pré-tratamento da água» antes da sua introdução no sistema. Outra das queixas é relativa à falta de pressão com que o precioso líquido chega às habitações e que impede a utilização ou causa transtornos «a quem utiliza esquentador» em casa.
A terminar, Irene Pereira disse que as pessoas têm perfeita consciência de que «a água é um bem escasso» e que por isso «tem de ser poupada» e que é imprescindível haver «um “plano B” para quando o sistema normal falha», contudo, apelou a que se «pense numa solução para resolver o problema pela raiz» mas que não se esqueça que a população precisa de uma resposta no imediato, sendo que «o acesso à água é um direito» de todos os munícipes.
No período Antes da Ordem do Dia, o presidente da União de Freguesias de Arrimal e Mendiga, Carlos Cordeiro, agradeceu aos seus fregueses por terem ido à AM «falar sobre este problema». O autarca elogiou a engenheira da Câmara responsável por esta área, «pela disponibilidade que tem demonstrado no acolhimento das queixas e na procura de soluções», e aceitou como boas as explicações dadas pelo presidente da Câmara (ver peça abaixo), fazendo votos para que esta situação «fique mesmo resolvida».
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