Esta época é de regresso às divisões nacionais para a Associação Recreativa Cultural e Desportiva da Mendiga, o que apesar de ser uma conquista muito positiva, representa um acréscimo de custos, para o clube, considerável. «É muito diferente estar numa divisão nacional ou distrital, a taxa de jogo nos distritais ronda os 90 euros, na III Divisão Nacional vai mais do que duplicar», explicou a O Portomosense o responsável para o futsal da Mendiga, António Manuel. Estas taxas são destinadas à Associação de Futebol de Leiria (no caso das distritais) e à Federação Portuguesa de Futebol (nas divisões nacionais) «para ajudar nas despesas, nomeadamente com arbitragem».

A juntar ao aumento destas taxas, está a obrigatoriedade de policiamento nos jogos: «Nas divisões nacionais é-nos exigido policiamento em todos os jogos em casa». Embora ainda não saiba dizer os preços atuais, quando anteriormente a Mendiga esteve nestes escalões, o policiamento «rondava os 150 euros» por jogo. «Os preços também variam conforme o contingente necessário perante o público, mas nunca mandam menos de três agentes», esclarece.

Os aumentos não param, aos quais se juntam as viagens. Embora a Mendiga já patrocinasse as viagens nos jogos fora, a verdade é que agora os quilómetros vão aumentar consideravelmente, uma vez que já não estão circunscritos ao distrito. «Ainda não sabemos a série onde vamos calhar, se nos calhar as ilhas então o custo ainda aumenta mais», frisa António Manuel. O clube suporta integralmente «as viagens e as refeições» nos jogos, o que na época passada representava cerca de «400 euros» por jogo na casa do adversário. Em casa, não tendo as viagens, o custo reduzia para metade.

António Manuel admite que a próxima época vai obrigar a uma gestão apertada «não só pelo aumento dos custos fixos», mas também «pela falta de atletas». Além de “Bexiga”, o ex-capitão que terminou a carreira, também João Cordeiro, «um jogador essencial na Mendiga» mudará de residência por motivos profissionais. Os atletas estão a ser também atraídos por outros clubes, com valores muito altos, o que dificulta a contratação de novos jogadores para clubes com poucos recursos económicos. «Hoje em dia cometem-se loucuras, os clubes prometem muitas coisas», critica o também vogal da Mendiga. O associativismo, «o amor aos clubes» está-se a perder, considera: «Um jogador saiu porque lhe ofereceram 250 euros. Com que armas posso combater isso? Nenhumas». Depois, frisa, são muitos os clubes que acabam por desistir por não terem capacidade para “aguentar” os valores prometidos. «Não quero fazer isso, estou em fim de ciclo mas quando entregar as minhas continhas, quero entregar a ponto de quem me seguir conseguir trabalhar sem problemas», salienta.

Jogar fase de acesso “não é justo”

Apesar de ter sido campeã distrital, a Mendiga não subiu de forma direta à III Divisão Nacional, foi preciso enfrentar uma fase de acesso que implicou viagens ao Funchal, Alter do Chão e Abrantes e também mais carga competitiva. «Não é justo que o primeiro não suba direto, além de ser um custo acrescentado, no final de contas têm de convidar as equipas para subir porque algumas desistem», refere António Manuel. «Andámos a jogar mês e meio a mais, que nos vai fazer muita falta para o início da época, os jogadores não tiveram o descanso necessário e esta época teve de ser programada em cima do joelho, coisa que habitualmente não fazemos, para nós o campeonato acabou há 15 dias, para as outras equipas acabou há dois meses», explica.

António Manuel sublinhou ainda que preparar uma equipa «para a III Divisão Nacional é totalmente diferente de preparar para os distritais», o que traz ainda mais dificuldades. Ainda assim, o responsável para o futsal adianta já que as «modificações na equipa não vão ser muitas»: «Temos algumas conversações, mas em concreto não temos nada para apresentar. Como acabámos muito tarde, quase todos os jogadores que nos interessavam estavam noutros clubes com plantel fechado, está a ser muito difícil». Ainda assim, garante o dirigente, «o clube vai fazer o melhor que puder para dignificar a associação, a freguesia e o concelho».

Foto | Jéssica Moás de Sá