A requalificação do Mercado Municipal de Mira de Aire vai avançar, depois de aprovado, por unanimidade, o projeto de requalificação e a abertura do procedimento para concurso público em reunião de Câmara. O presidente da Câmara, Jorge Vala, salientou que este mercado «está bastante degradado sob o ponto vista estrutural até, mas também sob o ponto de vista da imagem que transmite, com pouca capacidade de captação, quer de vendedores quer dos próprios fregueses da vila de Mira de Aire». Esta requalificação faz já parte da «proposta no âmbito da Área de Reabilitação Urbana (ARU) de Mira de Aire que está em curso». O autarca acredita que estas obras vão tornar o «mercado mais apelativo, moderno e sobretudo indo ao encontro daquilo que são as pretensões da população».

Segundo uma nota da autarquia, o edifício, «com diversas lacunas estruturais e necessidades urgentes de manutenção vai ser alvo de uma reestruturação global com requalificação de espaços, substituição de acabamentos (pavimentos, paredes e tetos), de bancadas e resolução de problemas de humidade». O comunicado refere ainda que «para um dinamismo do espaço serão implementadas varandas para o exterior com lugar de esplanada, ficando o edifício constituído por dois pisos com entradas independentes, mas também percorríveis pelo interior». O piso zero será «destinado ao mercado tradicional, com possibilidade de implementação de zonas de comércio e restauração e praça para restauração». Já o piso -1 vai ser dedicado «às artes tradicionais, nomeadamente espaços destinados à realização de oficinas, palestras ou exposições, no âmbito da promoção de artistas e artesãos locais». O programa de requalificação prevê ainda a «criação da imagem de comunicação e merchandising para a sua divulgação e promoção». O investimento vai ultrapassar os «300 mil euros e será um ponto âncora no âmbito das novas políticas da ARU».

Oposição prevê atrasos nas obras

Na reunião de Câmara, o vereador da oposição, Rui Marto, levantou algumas questões sobre o projeto. «O presidente disse que o mercado estruturalmente tem algumas lacunas e eu não consegui ver no projeto uma única alínea sobre a parte estrutural do edifício», referiu. Rui Marto disse ainda ter dúvidas sobre o prazo de execução, que se prevê de seis meses: «Estamos a lançar um procedimento a 5 de abril e a partir do princípio que no dia 31 de dezembro, com seis meses de execução estará tudo pronto, parece-me que é trabalhar no fio da navalha», salientou. O socialista recorda que este tipo «de procedimentos é demorado» e que qualquer «pedido de esclarecimento» sobre este projeto «terá que voltar a reunião de Câmara». «A menos que se façam umas reuniões extraordinárias, dificilmente isto terá condições para ser cumprido no ano de 2021», afirmou, lançando a questão a Jorge Vala se mesmo com estas questões «seria para avançar».

O presidente da Câmara começou por salientar que «os arquitetos e engenheiros foram várias vezes ao mercado, analisaram, avaliaram e foi com base nisso, de uma forma independente, que apresentaram as condições». O autarca diz ainda que a empresa que vai realizar esta empreitada «tem trabalhado para a Câmara ao longo dos anos, fez o Centro Escolar, fez o Parque Verde, fez a Central Termoelétrica, portanto não restam dúvidas sobre a sua capacidade». Quanto ao tempo de execução, Jorge Vala também diz ter «a convicção que em 2021 a obra ficará concluída»: «Estamos em abril, temos seis meses para a execução, não há nada que justifique a sua alteração», sublinhou.