O número insuficiente de médicos no concelho, nomeadamente, na área de influência da Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) de Porto de Mós continua a preocupar autarcas e população em geral. Depois de curta estabilidade, voltam as preocupações, desta feita com várias mudanças que vão ocorrer ao nível da equipa médica da UCSP mas também da Unidade de Saúde Familiar (USF) Novos Horizontes revelou o presidente da Câmara, Jorge Vala, na última Assembleia Municipal (AM).

De acordo com o autarca, a médica que chegou há poucos dias a Mira de Aire para substituir a colega que saiu em janeiro, dentro de algum tempo virá para Porto de Mós «para compensar a saída em mobilidade de uma outra médica». Por sua vez, «o coordenador da UCSP, Dr. Nuno Couto, vai sair para a USF Novos Horizontes, deixando Mira de Aire e o cargo de coordenador para substituir o Dr. Leonel Santos, que se vai embora. A partir do dia 10 de maio, Mira de Aire recebe uma médica que concluiu agora o internato e que irá substituir interinamente o Dr. Nuno Couto e, assim, Mira de Aire vai continuar, provavelmente, apenas com dois médicos e esta situação prolonga-se até julho que é quando é o próximo concurso. Aí vamos esperar que aconteça uma situação de estabilidade e é isto por que ansiamos todos», disse o autarca sem esconder o desalento com esta situação.

Depois de ter deixado no ar algum desconforto por ter sabido de todas estas mudanças «por um assistente operacional que veio contar esta história toda», Jorge Vala disse que «a situação é preocupante porque vamos continuar a ter algumas situações com alguma “dualidade”. É certo que os médicos têm direito a pedir mobilidade e é certo que depois de estarem cá 20, 25 anos, de serem de alguma forma estruturantes para os nossos utentes e de criarem raízes, têm direito a ir para outros locais, mas é uma pena. Porto de Mós tem sido de uma forma sistemática, ponto de passagem e fixar médicos não tem sido fácil», sublinhou.

O problema voltou à AM, desta vez pela mão de Telmo Conceição, que no período dedicado ao público deu conta da «insatisfação de muitos munícipes pelo deficiente apoio médico em várias freguesias do concelho», questionando, por isso, o presidente da Câmara «se há um plano em execução tendo em conta essas insuficiências e se nesse plano está proposto ou projetado um incentivo específico para que o nosso concelho consiga captar jovens médicos num futuro muito próximo, porque eles são necessários».

Em resposta, Jorge Vala disse que a Câmara não tem planos para virem médicos. «Nós precisamos que os médicos estejam cá no concelho e infelizmente nem sempre as coisas têm acontecido da forma como a nossa população necessita», disse, explicando que aquilo que são as competências do Município nesta área é o assegurar de boas condições físicas em termos de espaços e isso considera que tem sido feito.

«O Município tinha uma extensão de saúde muito degradada em Mira de Aire e reabilitou-a. Foi chamado a reabilitar a extensão de saúde da Calvaria de Cima e como o edifício é da Junta apoiou-a financeiramente para que tal acontecesse e aconteceu. Entretanto, vão iniciar-se as obras da extensão de saúde de Pedreiras, uma obra com algum significado e que bem o justificam e merecem a população e os profissionais de saúde. Portanto, essa é a nossa missão. A outra relativa à insuficiência de médicos é uma luta que travamos em conjunto com a AM e os presidentes de junta, para que os seus efeitos sejam minimizados sempre que possível mas de vez em quando somos surpreendidos como agora», disse o autarca.

Insatisfeito com as mudanças anunciadas, o presidente da Junta de Mira de Aire, Alcides Oliveira, lamentou a falta de estabilidade do corpo clínico com entradas e saídas frequentes de médicos mas ficando quase sempre a freguesia com um clínico a menos do que é necessário.

«Caramba, por que é que são sempre os mesmos? Por que é que sendo a UCSP de Porto de Mós que centraliza todos os médicos, são as freguesias limítrofes que têm sempre o problema da falta de médicos? São coisas estranhas», disse.