O combate a eventuais incêndios florestais nalgumas das áreas mais críticas do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC), no concelho de Porto de Mós, encontra-se hoje mais facilitado depois de durante mais de um mês, nove militares da Companhia de Engenharia Militar da Brigada Mecanizada, de Santa Margarida, terem estado empenhados, com vários meios pesados, na reabertura, reconstrução e, por vezes, alargamento de caminhos que estavam até agora praticamente intransitáveis, num total de oito quilómetros repartidos por quatro troços distintos. De acordo com Rui Pombo, diretor regional de Lisboa e Vale do Tejo do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) com a conclusão dos trabalhos, «aquela área fica novamente acessível a meios de combate, de vigilância e de fiscalização, para dar condições de segurança a uma área que é historicamente de fenómenos de grandes incêndios florestais e nesse sentido era muito importante voltar a ter condições de acessibilidade a meios de combate».

O responsável explica que os trabalhos levados a cabo pela engenharia militar foram apoiados pelo Fundo Ambiental e representam um investimento na ordem dos 150 a 200 mil euros. «Se virmos o valor por quilómetro é um valor bastante elevado, exatamente pela complexidade que tem tecnicamente mas também pelos meios mecânicos envolvidos, mas os troços estavam identificados como prioritários e portanto o investimento foi ponderado e executado precisamente pela priorização que tinham e pela importância que têm do ponto de vista estratégico para a área do parque natural», justifica.

Já com a obra concluída, Rui Pombo mostra-se bastante satisfeito com o resultado final explicando que «a especialidade de Engenharia do Exército tem recursos, meios e uma capacidade operacional muito acima daquilo que é normal e daí a opção de contratualizar a execução destes trabalhos não só na área do PNSAC mas também na Paisagem Protegida da Serra de Montejunto, entre Cadaval e Alenquer, e também no Parque Natural de Sintra-Cascais». Das três, «aquela que teve maior intervenção do ponto de vista do que eram as condicionantes e os requisitos técnicos a que obrigava foi a de Porto de Mós», exatamente porque «era um caminho muito importante do ponto de vista estratégico e por ser uma área de muita rocha e para onde teve de ser deslocado bastante material para regularização de um piso que já não tinha uma intervenção há muito tempo».
Rui Pombo adianta que a parceria com o Exército já existe há vários anos e «no caso da engenharia militar com resultados muito acima daquilo que é normal neste tipo de prestação de serviços, com trabalhos muito bem executados». Boa nota têm também as ações de vigilância de florestas no período de verão no PNSAC, com resultados igualmente muito bons, considera. O diretor regional do ICNF elogia igualmente a colaboração por parte do Municipio, nomeadamente em termos logísticos.

“Exército tem pessoal altamente qualificado, cumpre prazos e apresenta trabalho de qualidade”

Quem também se mostra bastante satisfeito com o resultado final do trabalho é o comandante da Companhia de Engenharia Militar da Brigada Mecanizada, capitão Rodrigues Marques: «Os trabalhos correram bem. Cumprimos os objetivos a que nos propusemos e penso que o produto final é muito positivo e que todas as partes estão satisfeitas. Não se registou qualquer incidente e isso também é bom porque damos bastante primazia às questões da segurança», refere.

De acordo com o responsável militar, a intervenção «teve um grau de dificuldade médio», mas nada a que os «recursos altamente especializados e experientes» do Exército não estejam habituados. O pior mesmo foram as condições metereológicas, «com precipitação elevada que alterou as propriedades do solo e que dificultou o acesso a viaturas pesadas de transporte de material». «Sentimos também nevoeiros cerrados e dificuldade ao nível da luminosidade, ficámos com poucas horas de luz disponível por dia mas demos a volta à situação e fizemos os trabalhos dentro dos limites aceitáveis», afirma.

Confrontado com elogios vindos da parte do ICNF, Rodrigues Marques, recorda que «o Exército está ao serviço de Portugal e dos portugueses» e nessa medida tenta colaborar com todas as entidades e com a população em geral empregando nessas respostas os recursos humanos e materais considerados necessários e adequados em cada momento. O recurso cada vez mais frequente à engenharia militar por parte do ICNF e dos municípios justifica-o pelo facto desta possuir «recursos humanos altamente especializados, bem formados e motivados» e por «cumprir prazos e o seu produto final ser muito credível». Em suma, diz, «a população confia em nós e da nossa parte tentamos colaborar em tudo o que está ao nosso alcance».

“Intervenção muito bem feita e oportuna”

O Portomosense ouviu também o presidente da Câmara sobre esta questão ainda na fase final dos trabalhos e já nessa altura Jorge Vala sublinhou tratar-se de «uma intervenção muito bem feita em que meios do Estado foram postos ao serviço da comunidade e a baixo custo», facto que disse merecer o seu aplauso.
O autarca referiu que «o Município não teve participação direta neste projeto tendo tido apenas conhecimento dele e tarde» mas que o mesmo merecia a sua total concordância por considerar muito importante que se tenha conseguido fazer «uma faixa de contenção desde o limite da União de Freguesias de Arrimal e Mendiga até quase a Serro Ventoso, no planalto da Serra dos Candeeiros, que, se por um lado impedirá ou dificultará em muito que o fogo passe de um lado para o outro da serra, cria uma acessibilidade para os bombeiros na fase de combate mas também na de prevenção».

Jorge Vala não escondeu, ainda, o seu desejo que exemplos destes se repitam noutros pontos do concelho, nomeadamente em Mira de Aire. «Nós temos já dois pedidos feitos via ICNF, para a zona de Mira de Aire. Em 2018 fizemos uma intervenção significativa na abertura de uma faixa deste género ligando o bairro social à estrada das Covas, que veio de algum modo proteger Mira de Aire, e que agora interessa ser mantida e melhorada e temos outra zona da freguesia onde gostávamos de poder contar com o apoio do Exército porque o trabalho fica bem feito e os custos são substancialmente mais baixos que os de uma empresa privada», frisou.