Sala Convívio António Lima. É este o nome do primeiro espaço que quem chega à associação da União Recreativa Mirense (URM), em Mira de Aire, conhece. A placa com o título foi descerrada no bar da associação no passado dia 7 de janeiro, numa cerimónia de homenagem ao antigo presidente do emblema alvinegro, que faleceu em agosto de 2022. O local não podia ser mais propício: foi durante os oito anos que António Lima esteve à frente da direção da URM que foi requalificado o espaço, «uma sala que era a menina dos olhos dele», recorda Cristina Vila Verde, presidente da Assembleia Geral do clube e uma das cerca de 50 pessoas que estiveram ali reunidas para prestar um último tributo ao antigo presidente, grupo que incluiu ainda grande parte do executivo municipal.

«Quem conheceu o Lima sabe muito bem que ele era uma pessoa simples. Por isso gostaríamos que este momento fosse o mais simples possível». Foi assim que iniciou a celebração o atual diretor de obras da direção da URM, Avelino Roque, referindo que não quiseram que aquele «momento fosse um momento fechado», antes achando «que ele também devia ser feito com os sócios, os simpatizantes e todas aquelas entidades e pessoas que ao longo destes oito anos» ajudaram a «devolver alguma dignidade à URM na representação que ele fazia no concelho e no distrito».

Os sócios corresponderam, em número e em participação. A personalidade forte de António Lima e o seu contributo para o sucesso desportivo «como treinador das camadas jovens» foram citados pelos vários simpatizantes que responderam ao repto de Avelino Roque para dedicarem algumas palavras ao antigo presidente. Cristina Vila Verde refere-o como «um apaziguador», uma pessoa para quem o Mirense «era a segunda casa». Já para o presidente da Junta de Freguesia, Alcides de Oliveira, António Lima era «uma pessoa que procurava pontes, uma pessoa capaz, leal e que, onde se metesse, conseguiria com muita luta, chegar a bom porto», tendo dado como exemplo as próprias instalações onde se encontrava. Também a viúva, Paula Luz Lima, enalteceu a figura de António Lima, «uma pessoa que dificilmente dizia não: não às causas, não à ajuda ao próximo, não aos desafios», e que conseguiu realizar o sonho de ser presidente do Mirense «antes de partir demasiado cedo». A presidente em substituição leu ainda um texto do antigo dirigente António Vieira, antes de passar a palavra ao filho mais velho, Pedro Lima, que agradeceu a todos os que «estiveram ao lado» do pai.

“Não há insubstituíveis, há pessoas muito difíceis de substituir”

Vários discursos ao longo da noite foram fazendo referência às novas eleições de dia 26 de janeiro, incluindo o último – o do presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós, Jorge Vala. O autarca recordou aos presentes que «a última coisa que o Lima queria era que o seu Mirense acabasse, por as pessoas acharem que não é possível dar continuidade ao trabalho do Lima. É, de certeza absoluta, tem de ser, é importante que seja», completa. Jorge Vala considera que «não há pessoas insubstituíveis, há pessoas muito difíceis de substituir».

O presidente pediu uma nova união dos mirenses, posição corroborada por Avelino Roque, que relembrou que ainda há «tempo de aparecer uma [lista] ou até mais, porque isto não pode morrer», e por Paula Luz Lima, que completou o seu discurso referindo o slogan criado pela primeira direção onde participou o marido: “Mais que união é uma paixão”. Da sua parte, garante, «este slogan continua a fazer sentido».

Revisão | Catarina Correia Martins
Foto | Bruno Sousa