A União Recreativa Mirense vai a votos no próximo dia 26, em eleições antecipadas. Juntamente com a convocatória para a assembleia geral extraordinária, o clube publicou uma nota na sua página de Facebook, assinada pela atual presidente (em substituição), Paula Luz Lima.

A nota refere que «após o falecimento do nosso querido presidente António Lima, a atual direção tentou levar este mandato até ao fim, que seria em abril de 2023. No entanto tal não veio tornar-se possível, por variados motivos», mostrando-se a dirigente disponível para os apresentar no dia das eleições. O comunicado dá conta de que «após uma reunião de caráter urgente no dia 30 de novembro, a maioria dos diretores demitiram-se, não havendo condições para continuar, [e por isso] a senhora presidente da assembleia geral, Cristina Vila Verde, convocou eleições antecipadas».

Na nota, Paula Luz Lima despede-se, fazendo um «apelo» aos sócios: «O Mirense precisa muito de vocês com uma voz ativa, mais do que nunca, para decidirem o seu futuro. Da minha parte posso dizer que fiz de tudo o que estava ao meu alcance para honrar a memória do Lima, mas infelizmente, nem todos quiseram o mesmo. Espero de coração que tudo corra pelo melhor, pois foram oito anos dedicados ao Mirense, como diretora e muitos mais como esposa do Lima, que muito deu ao nosso Mirense durante muitos anos», conclui.

“Se me deixarem, continuo no vólei”

Em declarações ao nosso jornal, Paula Luz Lima disse, perentória, que «não há condições para continuar». Contando a história desde o princípio, explicou que «após o falecimento do Lima [presidente à data da morte e seu marido], foi preciso perceber como ia funcionar». «Estou com ele no clube desde 2015, quando entrámos pela primeira vez, e sempre houve dois vice-presidentes, mas no último mandato, ele mudou essa situação para passar a ter um presidente substituto, que sou eu. Claro que ninguém estava a contar que acontecesse o que aconteceu, porque como mulher e mãe dos filhos dele, não seria muito lógico ser eu a ficar numa situação destas», esclareceu. «Dois ou três dias depois do funeral», a direção reuniu para decidir o futuro do clube. «A época desportiva ainda não tinha começado [falecimento foi em agosto], se houvesse eleições antecipadas, estávamos sujeitos a complicar a vida ao clube, que vive do desporto», frisa Paula Luz Lima.

Nessa reunião de direção, decidiu-se, «por unanimidade», «levar o mandato do Lima até ao fim, até porque faltavam poucos meses [o mandato terminaria em abril]». «A minha área é o voleibol, o futebol sénior era a área do Lima – e está provado que ele é que a dominava bem, a olhar pelos resultados que temos tido –, [por isso] na altura disse logo que poderia assumir como presidente substituta, no entanto não iria interferir [nas outras áreas], até porque não sei, e que cada colega diretor continuaria a trabalhar tal como o tinha feito até ali. Que fique bem claro que eu não interferi com ninguém», sublinha. Diz, porém, que «começou a haver, mais da parte do futebol, certas coisas que não deviam ser feitas e não correu muito bem, houve divisões». «Tenho um colega que diz que faltou a cola que unia tudo e faltando a cola é difícil. Não deixa de ter razão», considera a ainda presidente. A decisão de sair neste momento prende-se também por saberem «que ainda se vai a tempo: quem quiser pegar no Mirense ainda tem tempo de fazer alguma coisa do futebol sénior, que é o que está pior neste momento, ainda pode, por exemplo, comprar jogadores. Mais tarde, o mercado fecha e aí já não havia nada a fazer», explica.

Do tempo que passou na direção diz que foram «oito anos de muito trabalho e muita obra feita». «Quem pegar no Mirense só não encontra uma equipa sénior em condições, mas de resto encontra estruturas como nunca teve, encontra contas bancárias com dinheiro, as despesas todas pagas, o nome limpinho, sem dívidas. Quem quiser trabalhar e quem gostar do Mirense, se quiser dar continuidade à história do clube, tem muito para trabalhar», afirma.

Paula Luz Lima nega terminantemente a possibilidade de se candidatar: «Isto era o sonho do meu marido, não o meu», frisa. «Se me deixarem – porque a nova direção tem a autonomia de não o fazer –, quero continuar com o vólei, estamos a fazer um bom trabalho, continuamos na linha da frente, sem derrotas, por isso, se me deixarem, é o que quero fazer. Se não me deixarem, paciência. Ainda tentei aguentar o barco, mas não deu. Tenho muita pena, principalmente pelas meninas [jogadoras de voleibol] e pela formação, porque tenho receio que quem pegar no Mirense só pense nos seniores e se esqueça da formação, como sempre aconteceu», conclui.