A Assembleia Municipal de Porto de Mós (AM) promoveu pelo segundo ano consecutivo uma homenagem pública às mulheres do concelho. A iniciativa realizada em parceria com a Câmara Municipal, assumiu desta vez o formato de gala. Alterou-se a designação e aliviou-se um pouco na formalidade, mas a cerimónia seguiu, no essencial, o modelo da primeira edição.

Antes de subirem ao palco as mais de duas dezenas de mulheres alvo de homenagem, por proposta da junta de freguesia das respetivas áreas de residência, houve tempo para a música, a dança e a poesia e, claro, os incontornáveis discursos políticos. A gala teve ainda como oradora convidada, Isabel Damasceno, antiga presidente da Câmara de Leiria e atual vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC).

Na abertura, Clarisse Louro, a presidente da AM, explicou que a gala se insere nas comemorações do Dia Internacional da Mulher, altura para as mulheres lembrarem «as conquistas alcançadas e as que continuam por atingir, inacessíveis. De denunciar injustiças e despertar consciências, umas ainda adormecidas, outras subjugadas e ultrajadas» mas também «a oportunidade de vincar o reconhecimento que é devido às mulheres que fizeram com que outras mulheres sejam hoje objeto de reconhecimento». «Como mulher, esposa, mãe, avó, profissional e presidente da AM não podia deixar passar este dia em vão, de avivar memórias, discutir políticas e de dar voz às mulheres do meu concelho», sublinhou.

Por sua vez, o presidente da Câmara, Jorge Vala destacou um tema transversal a todas as intervenções: a violência doméstica. O autarca disse que «numa sociedade evoluída é muito difícil perceber os sistemáticos cenários de violência contra as mulheres». Jorge Vala disse que o país que «produz legislação ao ritmo do estalar de dedos, que transformou a violência doméstica em crime público, que assinala, homenageia e afirma em coro a importância da paridade, da igualdade de direitos, da equidade de oportunidades, é o mesmo que tem ainda preconceitos em condenar, defender, proteger e dar voz a tanta dor e tormento por tudo o que passam dezenas, centenas, sabemos lá quantas, talvez milhares de mulheres que bastas vezes são levadas até à morte», descrevendo a seguir, aquilo que o executivo municipal tem feito no sentido de minimizar este problema a nível local e reforçar as respostas de apoio às vítimas de violência doméstica.

Cristiana Rosário, do PSD, disse que «a emancipação da mulher é algo que é próprio dela, no entanto, homens e mulheres têm de estar juntos, não pode existir uma guerra de sexos, não podemos dispersar energias numa luta inglória, visto que esta não é marcante e determinante. Somos diferentes na nossa essência e queremos apenas que isso seja respeitado, nós gostamos das nossas diferenças, como existem diferenças nas próprias mulheres e também entre os homens».

Liliana Pereira, em nome da bancada do PS, defendeu que além de homenagear mulheres que de uma forma ou de outra têm contribuído para o desenvolvimento da sociedade, devemos também «celebrar as heroínas desconhecidas, aquelas que muitas vezes se abnegam, para cuidar das famílias, para cuidar de desconhecidos, para lutar no dia a dia num sistema que as oprime e que as penaliza pelo facto de terem nascido mulheres” e nesse sentido lançou o repto ao executivo que «reconheça às suas munícipes o estatuto de cuidadora informal», lembrando que, não sendo um exclusivo das mulheres, «são estas que maioritariamente abandonam a sua vida social, laboral para se dedicarem ao familiar doente, ao portador de deficiência, aos pais que necessitam de acompanhamento permanente».

Luís Almeida, do movimento AJSIM, encerrou as intervenções fazendo o elogio da «mulher mãe e da mãe mulher» destacando todo o empenho que as mulheres colocam nestas duas dimensões sem, contudo, esquecer as que não sendo mães, enfrentam, igualmente, grandes desafios e conquistam pequenas ou grandes vitórias.

Isidro bento | texto e foto