Um ano depois de ter sido apresentado, ainda são muitas as dúvidas em torno do funcionamento do Cartão 360 Porto de Mós, a ferramenta criada pelo Município em parceria com o GrupoPIE para ajudar os comerciantes nas vendas online e que permite aos consumidores obter vantagens com a sua utilização. Ciente de que este é um assunto que continua a suscitar muitas questões entre a população, o Município decidiu organizar um showroom para esclarecimento de dúvidas e demonstrar como funciona o projeto. Como posso aderir e como funciona? Estas e outras perguntas foram respondidas por Isidro Pereira, diretor comercial da empresa, durante a apresentação que decorreu no Cineteatro, no passado dia 13.

O Cartão de Porto de Mós funciona simultaneamente como um cartão físico e uma aplicação móvel e a que todos os munícipes do concelho podem aderir, de forma gratuita. Para isso, basta preencher o formulário de adesão (que consta da página do Município) e esperar que o cartão lhe seja enviado por correio. Já a aplicação (app 360 CITY), depois de descarregada, dá acesso a todos os produtos e serviços, descontos, localização, horários e contactos. É aí que pode realizar encomendas e escolher um prestador de serviços para as entregas. Depois de carregado em postos de carregamento – cuja localização ainda está por definir –, o cartão poderá ser utilizado como meio de pagamento, como se se tratasse de outro cartão de multibanco. Em cada compra, são acumulados pontos, que correspondem a um determinado montante que poderá ser descontado na próxima compra. «Por cada dois euros de compras, ganho um ponto, o que equivale a 10 cêntimos em descontos», exemplifica Isidro Pereira. No entanto, há um limite: «As pessoas nunca podem pagar as compras com os pontos que têm, o limite é o que o comerciante definiu como desconto».

Por agora, o presidente da Câmara, Jorge Vala, garante que o objetivo principal é «massificar a adesão», sensibilizando a população para a importância de aderirem a este projeto. «Quantos mais munícipes tiverem o cartão, mais pessoas beneficiam dele e mais pessoas ficam com condições para poderem usufruir dos descontos no comércio local», justifica.

Até este momento, 100 comerciantes do concelho já se associaram à ideia, no entanto o diretor comercial do GrupoPIE espera que este número suba e lembra que este é um fator que tem grande influência para que o projeto possa ser posto “em marcha”: «Precisamos que todos adiram porque, para o projeto ser lançado, convém haver uma massa crítica de comerciantes. Esse é um dos fatores pelos quais ainda não foi lançado». Os comerciantes que integrarem este projeto, passam a fazer parte de uma rede a nível nacional, 360 CITY, que lhes dará «grande visibilidade». Totalmente gratuito no primeiro ano para os comerciantes, o serviço passa a ter um custo mensal de 7,50 euros no segundo ano e não tem fidelização. Dirigindo-se depois diretamente aos empresários presentes no Cineteatro, Isidro Pereira apelava: «Agora, por favor, quando forem contactados, passem a palavra e adiram. É muito vantajoso para todos».

Ferramenta dará visibilidade a comerciantes

Durante o showroom, Isidro Pereira deixou a garantia de que em breve todos os comerciantes do concelho vão ser contactados, presencialmente, por uma equipa de técnicos do GrupoPIE para fazerem parte do projeto. Aos que aceitarem, ser-lhes-á dada uma formação e será efetuada toda a montagem dos equipamentos, como o terminal onde serão feitas as transações dos utilizadores que têm o cartão. Mas vamos a um exemplo prático: imaginemos que estamos num pronto-a-vestir, a pessoa escolhe a peça de roupa que deseja comprar e dirige-se ao balcão para efetuar o pagamento. O funcionário pergunta: «Tem o cartão de Porto de Mós?». Se a resposta for “sim” o cliente apenas tem de encostar o Cartão 360 ao terminal. «Tem pontos. Deseja descontar ou prefere acumular?», questiona, ainda. Se decidir descontar no momento, o desconto será imediato. No fim, se decidir pagar com cartão de débito ou crédito, basta encostar ou inserir no mesmo terminal.

Num ano muita coisa mudou. O projeto foi sendo aperfeiçoado e aprimorado com novas valências. Um dos upgrades, que Isidro Pereira descreve como uma «ferramenta poderosa», é a possibilidade de os comerciantes enviarem uma notificação para o telemóvel de cada munícipe, por exemplo a dizer que chegou um novo produto à loja, conseguindo assim «chegar à mão de milhares de utilizadores». Depois de muitos avanços e recuos, a previsão do presidente da Câmara é que «até ao verão» o projeto possa estar implementado. «Tivemos aqui pelo meio alguns constrangimentos, sobretudo esta questão de irmos ajustando com a empresa alguns benefícios que podiam ser proporcionados mas pensamos que nessa altura estaremos em condições de lançar [o projeto] definitivamente», considera.

Foto | Jéssica Silva