O presidente da Câmara, Jorge Vala, acredita que a Altice cumprirá aquilo a que se comprometeu com o Município e dotará boa parte do concelho com fibra ótica, até ao final do corrente ano, mas não dá garantias absolutas de que isso aconteça dentro do prazo previsto. Questionado na última Assembleia Municipal, embora tivesse dito que «a empresa está a fazer alguns trabalhos e investimentos» para que até ao final do ano esse objetivo esteja concluído, teve sempre um discurso cauteloso.

O autarca disse que «o Município tem feito o que pode a este nível tendo assinado protocolos com a Vodafone e a Altice», na tentativa de melhorar os serviços de telecomunicações e internet no concelho, e se no primeiro caso, «daí não resultou rigorosamente nada», do segundo espera «que as coisas aconteçam da forma como foi prometido». «Estamos a falar de empresas exclusivamente privadas e nem uma nem outra têm compromisso de responsabilidade de serviço público», recordou. Dito de outra forma, não é possível obrigar privados a fazer investimentos.

No caso da Altice o acordo prevê que antecipe parte significativa dos investimentos que contava realizar no concelho até 2025, mostrando-se sensível aos argumentos apresentados pelo Município «e, inclusive, com algumas manifestações da população», explicou o autarca. Apesar disso, Jorge Vala disse estar «disponível para outro tipo de ações que possam eventualmente ir ao encontro das necessidades da nossa população».

Para Mário Cruz (AJSIM) o problema reside no facto do protocolo não ter associado um caderno de encargos, sublinhando, ainda, que «apesar da empresa ser privada as concessões do serviço de telecomunicações estão sujeitas a mínimos de serviços públicos e as câmaras podem exigir compromissos sérios relativamente àquilo que é a parte obrigatória de serviço público».