«Não vamos parar. O Município da Batalha não se vai calar, até que este problema seja resolvido em definitivo. Essa é a nossa expetativa e também o nosso desejo», a frase, que deixa transparecer alguma revolta e descontentamento, é do presidente de Câmara Municipal da Batalha, Paulo Batista Santos, depois de no mês passado, a ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, ter anunciado que a partir de julho as portagens cobradas em várias autoestradas do país vão descer de preço. No entanto, das quais não faz parte a Autoestrada 19 (A19), que liga Porto de Mós, Batalha e Leiria.

«É importante que o país seja tratado de forma igual. Nós não aceitamos esta inércia do Governo», frisa, depois de saber da exclusão da A19 do leque de vias contempladas com uma redução de preço, onde se incluem sete no interior, mas também a A22, no Algarve, e a A28, no norte litoral. O autarca fala em «esquecimento» e acusa o Governo de não estar a fazer o trabalho que deveria fazer. Uma atitude justificada pelo facto de o desconto ou mesmo a eliminação total das portagens nesse troço já ser um desejo antigo expresso inúmeras vezes pelo executivo de Paulo Batista Santos. Na base desta questão, que se arrasta há anos, está a preservação do Mosteiro da Batalha, devido ao intenso tráfego que se verifica no Itinerário Complementar n.º 2 (IC2), junto ao monumento.

Na verdade, são milhares os automobilistas que optam diariamente por transitar no IC2, em detrimento da A19, principalmente por causa do custo inerente à passagem pela via. Por esse motivo, o autarca batalhense confessa que ficou «muito desapontado» com o Governo devido a esta exclusão. Até porque desde a construção da A19, que o Município da Batalha tem desenvolvido inúmeros contactos no sentido de encontrar uma solução para este problema. Uma das medidas, entretanto tomadas, remonta a 2018, altura em que o executivo concluiu a colocação de barreiras acústicas junto ao IC2, defronte do monumento, classificado como Património Mundial da UNESCO, numa intervenção que incluiu a colocação de milhares de arbustos que formam um jardim vertical.

O objetivo com a construção era claro: minimizar os impactos que o tráfego automóvel tem no Mosteiro da Batalha, naquela que era considerada uma «medida de minimização». Apesar dessa intervenção, o autarca reconhece que há sempre «efeitos nefastos» para o monumento, que já conta com «sinais de degradação» e que «são visíveis por exemplo, nos detalhes do gótico», o estilo artístico presente no edifício.

“Nós desejamos que a A19 deixe de estar às moscas”

São «quase 40 mil viaturas», sobretudo pesados de mercadorias, que atravessam diariamente o IC2. Aquando da sua construção, o objetivo com a A19 era que uma boa parte desse trânsito que hoje aí flui, passasse a ser desviado para esse troço, de forma a «salvaguardar o património». Contudo, 11 anos depois, a realidade não é a mais animadora. «É uma autoestrada deficitária, cujo tráfego é muito reduzido», adianta Paulo Batista Santos, afirmando que com base no último estudo que possui, referente ao último trimestre de 2019, o número de viaturas que passam na A19 «não chega sequer para pagar a concessão do pórtico».

Com o anúncio de que algumas portagens vão ter um desconto no seu valor, o presidente da Câmara da Batalha é perentório: «Aquilo que nós exigimos não é mais, nem menos, do que acontece noutros sítios», refere, adiantando que o objetivo do executivo é a «eliminação definitiva das portagens». O autarca acredita que «enquanto houver portagens», o objetivo inicialmente previsto com a A19 «não será conseguido» e que, atualmente, não está a cumprir o «grande investimento que o país fez nela». «O que nós queremos é que a A19 deixe de estar às moscas», reforça.
Na perspetiva de Paulo Batista Santos, se a A19 está construída «deve ser para benefício das populações e sobretudo, das empresas», reconhecendo que a região de Leiria possui um grande leque. Quem partilha da mesma opinião é o presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós, Jorge Vala, com quem O Portomosense foi falar, na perspetiva de um dos pontos de entrada e de saída da A19 ser precisamente no nosso concelho. «Hoje, a economia das empresas é sustentada pela gestão de custos. Entre pagar cinco euros ou não pagar nada, as empresas optam, naturalmente, por não pagar nada», sublinha o autarca, adiantado a razão, no seu entender, de a A19 ter tão poucos utilizadores.

Jorge Vala considera as portagens na A19 «uma entropia» e daí aquela via continuar a ser uma segunda opção para quem se queira deslocar até Leiria, ou vice-versa. «Nem toda a gente funciona com a otimização em termos de tempo, mas sim de custos», refere. Para o presidente da Câmara, a existência de portagens nesse troço «não faz qualquer sentido» e por isso, adianta que os vários municípios que compõem a Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria estão unidos no sentido da «eliminação das portagens». O autarca faz questão de sublinhar que esse passo, seria um ganho efetivo «muito grande» para o ambiente e para a economia da região: «Seria importante ligarmos Leiria ao interior do distrito, sem ter aqui este portão», sublinha.