Dada a escassez de água que causou já «impactes demonstráveis sobre múltiplos setores económicos e sobre a saúde pública», «na Europa, em Portugal e também na região de Leiria», a Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL) esteve reunida para debater o tema e elencar medidas de atuação, de acordo com nota enviada à nossa redação. O presidente da CIMRL, Gonçalo Lopes, disse a O Portomosense que «o tema da seca foi avaliado com enorme preocupação», uma vez que a região «tem pontos de água onde existe uma escassez preocupante, nomeadamente nas barragens a norte do distrito, na zona de Pedrógão Grande». Para começar, uma das primeiras decisões define que «esta temática passará a ter um acompanhamento regular nas reuniões da CIMRL» e que é necessário «implementar e preparar um plano de intervenção com dimensão intermunicipal, recolhendo e somando experiências entre os municípios».

No documento enviado ao nosso jornal, a CIMRL dá conta de algumas ações para «implementar com prioridade». Para começar, «antecipar os trabalhos em curso da Estratégia Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas da Região de Leiria», que pretende «caracterizar e cenarizar o clima» da região para depois poder «identificar as vulnerabilidades climáticas» e «definir o modelo de gestão (municipal e intermunicipal) e o modelo de financiamento para implementação das medidas». Já no dia 25 foi posta em prática uma das medidas definidas na reunião que passou por «realizar uma sessão de lançamento e reflexão sobre as Adaptações às Alterações Climáticas da Região de Leiria, com a participação de especialistas». Quer-se ainda «no imediato», reforçar «infraestruturas municipais de retenção de água para uso agroflorestal»; assim como sensibilizar «cidadãos e demais stakeholders». Foi também já lançada uma campanha, em forma de vídeo, sobre as alterações climáticas na região, subordinada ao lema “Juntos vamos virar esta página!”. Entre as medidas está ainda a «articulação entre os 10 municípios» que integram a CIMRL para «definir um Plano Intermunicipal de Gestão de Recursos Hídricos e de medidas de emergência em situações de escassez de água».

Este trabalho em equipa é valorizado por Gonçalo Lopes que, fazendo um paralelismo com a pandemia, recorda que «não vale a pena um concelho ter uma atitude e uma política muito ativa» se os restantes assim não o fizerem. «Ou trabalhamos em conjunto, ou todo o nosso trabalho pode ter insucesso», reforça. «A água atravessa e é captada em vários pontos da nossa região, serve um território muito amplo e ultrapassa, em muito, o sítio onde é captada, por isso temos que ter uma preocupação conjunta na resolução do problema», explica. Para isso, a CIMRL está «a colocar um forte empenho nesta problemática», alocando-lhe «uma parte importante da energia» que estava dedicada à pandemia. «Iremos, naturalmente, tomar medidas, umas táticas, outras mais estratégicas. As estratégicas passarão por um nível mais duradouro e mais demorado de implementação, mas sabemos que estes fenómenos de seca, de chuvas intensas, de vendavais ou de ondas de calor vão ser cada vez mais frequentes. Portanto há que aumentar a nossa capacidade de resiliência, de poder criar gabinetes de crise, provocar reuniões e encontrar medidas em conjunto», conclui o também presidente da Câmara Municipal de Leiria.

Com Jéssica Moás de Sá e Jéssica Silva