Os Muros de Pedra Seca vão representar Porto de Mós e o distrito de Leiria nas meias-finais do concurso das 7 Maravilhas da Cultura Popular depois de terem sido eleitos através do voto do público. Os resultados foram divulgados esta segunda-feira, 20 de julho, no final de um programa, realizado pela RTP, a partir da Batalha. Ao nosso jornal, o presidente da Câmara de Porto de Mós, Jorge Vala, disse estar «orgulhoso, satisfeito e grato» por ultrapassar esta fase do concurso.

Esta é «uma homenagem aos que transformaram a terra árida em terra arável, em terra de sobrevivência», frisa. Jorge Vala faz questão de afirmar que esta vitória não é apenas do concelho de Porto de Mós e que apesar de ter partido dele a candidatura, há muitas pessoas envolvidas: «Acho que devemos considerar esta uma candidatura supramunicipal, abrange todo o território do Maciço Calcário Estremenho, preferencialmente nas Serras de Aire e Candeeiros e suas gentes, é uma candidatura que afirma a cultura de um povo, uma forma ancestral de trabalhar a terra e também a vivência das pessoas que lidaram durante séculos com a inospidade da região». O presidente destaca também que houve um apoio global de todos, começando «pelas juntas de freguesia, todas se associaram a este processo e de outros concelhos que não hesitaram em dar apoio a esta candidatura, onde se incluem os presidentes de Câmara dos concelhos do Parque Natural mas também das Terras de Sicó».

O autarca lembrou ainda que este é um «património invulgar» que «deve ser preservado como uma marca identitária do território e deve ser trazido à memória como um fator de sobrevivência da população que hoje vive melhor, mas tem nele o seu modo de vida e faz parte do seu habitat». Foi precisamente o facto dos muros serem uma marca identitária que levou à união da população em torno desta candidatura, acredita Jorge Vala, que vê nesta união um fator de coesão: «Quando promovemos ações que são identitárias, isso afirma a coesão do território e social. Em torno desta candidatura verificámos que as pessoas se unem para num corpo só levar mais longe o orgulho de ser de Porto de Mós».

Até à final, no dia 5 de setembro, os Muros de Pedra Seca vão ter de passar por mais uma votação, que se realiza na última semana de agosto. O presidente mostra-se confiante e admite que existe já «um planeamento» para a promoção dos muros. Jorge Vala garante que tudo se fará para chegar à final, no entanto, refere, que caso os Muros de Pedra Seca não fiquem entre os sete finalistas, «não é o fim do mundo». «O nosso principal objetivo está ultrapassado: era este, podermos dar dimensão nacional não só ao concelho de Porto de Mós, mas também aos muros de pedra e à região».

Madrinha dos muros traz a tónica da sustentabilidade

Uma das mais-valias que Jorge Vala destacou nesta candidatura foi a dimensão da sustentabilidade, também evocada pela madrinha dos Muros de Pedra Seca, Guta Moura Guedes: «Num tempo de crise, os muros são um exemplo de sustentabilidade porque a pedra é natural e é fator de limpeza das terras». Guta Moura Guedes é madrinha desta candidatura assente num objetivo claro do Município, refere Jorge Vala: «Foi uma sugestão que a ASSIMAGRA nos deu porque nós entendemos que devíamos projetar esta candidatura além fronteiras. [A madrinha] tem um reconhecimento nacional e internacional nos meios da cultura e da arquitetura». Guta Moura Guedes é presidente da ExperimentaDesign, curadora e designer estratégica. Em Porto de Mós promoveu durante seis meses «a exposição Primeira Pedra», um «privilégio», segundo Jorge Vala, que concentrou os «mais reconhecidos arquitetos e designers do mundo». Guta Moura Guedes «tem uma ligação muito forte a este território, precisamente por via da ligação que tem à ASSIMAGRA mas também ao Maciço Calcário», conclui.

Jéssica Moás de Sá | texto
Jéssica Silva