O presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós, Jorge Vala, disse na última reunião de câmara descentralizada que se realizou no passado dia 12 de março, na Calvaria de Cima, que «contrariamente ao que se verificou em anos anteriores, tem-se verificado um aumento da população que não está a cumprir a obrigatoriedade de limpeza de terrenos». «Infelizmente, há mais autos este ano, do que tem havido no passado. As pessoas não estão efetivamente a limpar», reconheceu Jorge Vala. Apesar de afirmar que existe um «conjunto significativo de autos levantados pela GNR», garantiu: «Estamos a reagir».

O autarca aproveitou para referir que embora a realidade no que toca à limpeza de terrenos não seja a mais animadora, as pessoas «logo que recebem a notificação», dirigem-se à Câmara e muitas delas acabam por limpar e adiantou ainda que, em 2019, o Município enviou «notificações todo o ano». Os dados agora revelados surgiram depois de o presidente de Câmara ter sido confrontado pelo vereador da oposição, Rui Marto, sobre quais os trabalhos que têm sido feitos pelo Município, no âmbito da limpeza das faixas de combustível, cujo prazo terminou no dia 15 de março.

«Reconheço que não está tudo feito, seria até hipócrita se o dissesse», afirmou Jorge Vala. No entanto, referiu que, tal como aconteceu em anos anteriores, o Município reuniu com a comissão municipal de defesa contra incêndios na floresta e daí foram definidas um conjunto de iniciativas entre as quais a limpeza do «caminho no planalto da Serra dos Candeeiros», inserido no âmbito das faixas primárias de contenção, que é da «exclusiva responsabilidade do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF)», tendo sido feito através de um «contrato-programa com o Exército Português».

Sobre o programa em causa, o autarca referiu que faz parte da «sequência de limpezas» que foram realizadas nos dois anos anteriores das faixas primárias e fez questão de sublinhar, mais uma vez, que esse trabalho «foi feito e está a ser desenvolvido pelo ICNF». Jorge Vala confirmou que estão a fazer um «esforço» para que até ao final do presente mês, se realize uma «intervenção idêntica» em Mira de Aire. «Se, eventualmente, eles não fizerem, vamos ter que fazer», assegurou.

“Se quem manda não limpa, eu também não limpo”

Não satisfeito com as explicações dadas pelo presidente da Câmara, Rui Marto voltou a insistir na mesma questão. «Eu não estou aqui a acusar ninguém, nem a querer encontrar culpados. Estou claramente a constatar um facto: Não tem havido a sensibilização para esta necessidade que houve há mais anos. E se tem havido, então eu tenho andado muito distraído», disse.

Apesar do prazo para a limpeza de terrenos ter terminado no passado domingo, dia 15, o vereador da oposição, recordou que ainda há muito trabalho de limpeza a ser feito e que essa necessidade se reflete «principalmente nas zonas de baldio», onde no seu entender, «não existe qualquer ação», assim como, nas «faixas pintadas a verde no mapa do geoportal», fazendo referência ao território que é da responsabilidade do Município.

«Há, aparentemente, zonas grandes do concelho, que não foram bafejadas pela roleta de se fazerem lá trabalhos de limpeza», constatou Rui Marto, alertando para o facto de que o que se verifica, muitas vezes, é a resposta de que «não existem meios». Essa atitude, na perspetiva do vereador traz consequências naquilo que é a atitude das pessoas perante a obrigação de procederem à limpeza das faixas de combustível: «Se quem manda, não limpa, eu também não limpo», adverte Rui Marto em alusão à resposta das pessoas, perante questões como esta e aproveitou para deixar um apelo, no sentido, de que haja uma maior sensibilização no que toca à limpeza dos terrenos.

Jorge Vala recordou que no ano passado, as ações de limpeza do Município estenderam-se até maio, considerado o limite para se proceder a essa tarefa e fez questão de dizer que a Câmara não abandonou as ações de fogo controlado, uma atividade que continua a levar a cabo, apesar de afirmar que é uma questão «cara». O autarca aproveitou ainda, no contexto de reunião de Câmara, para demonstrar, mais uma vez, o seu desagrado perante o atual mapa de freguesias prioritárias para efeitos de ações de limpeza, no âmbito da prevenção de incêndios rurais. «Aquilo que nós temos ali é um barril de pólvora que não vai ter por parte das autoridades a preocupação que têm nas freguesias de primeira prioridade porque o foco tem que ser para aí», afirmou revoltado, recordando «um dos maiores incêndios do Município de Porto de Mós» que teve lugar há alguns anos, no lugar da Boieira.