O atual período atípico que o mundo atravessa tem levado a que, nos últimos meses, várias tradições tenham ficado por celebrar e algumas correndo mesmo o risco de acabarem por cair no esquecimento. Apesar de praticamente toda a gente já estar ciente de que esta quadra não irá acontecer nos moldes a que estávamos habituados, o Município de Porto de Mós, à semelhança de outros, quis que a época natalícia não passasse despercebida e por isso, decidiu acender as tradicionais iluminações que estão espalhadas pelas várias ruas da vila, no passado sábado, dia 21 de novembro.

Na perspetiva do executivo, a existência deste tipo de decoração ganha hoje ainda mais importância, devido aos tempos conturbados que se vivem. «Achamos que a iluminação é também, nesta época, uma luz de esperança, sobretudo para os comerciantes locais», considera o presidente da Câmara, Jorge Vala, acrescentando que o executivo tem a «obrigação de apoiar os empresários e o comércio local» do concelho. «Decidimos fazer [a iluminação] como temos feito todos os anos porque não há nada que nos motive a não fazer», justifica o autarca. Apesar de assumir que o executivo tem a «motivação» de investir em iluminação de Natal, Jorge Vala garante que essa foi também uma das vontades transmitidas pelos comerciantes: «O que nos disseram foi: “Pelo menos a iluminação de Natal não deixem de ter”», recorda.

Com um investimento estimado de «cerca de 20 mil euros», os gastos com a iluminação de Natal são, nas palavras do presidente da Câmara, «os mesmos que em anos anteriores». Aliás, Jorge Vala até faz questão de dizer que se se tiver em conta que o valor despendido o ano passado com todo o processo do Natal Encantado foi de «70 mil euros», então estamos perante uma «redução de 50 mil euros», dinheiro esse que entretanto já tem destino: «Distribuição de máscaras e aquisição de testes rápidos». Durante a última reunião de Câmara, onde deu a conhecer estes valores, o autarca aproveitou para criticar quem considera que em plena pandemia, os Municípios não deveriam de gastar dinheiro em iluminação de Natal. «Não passa de demagogia quando se diz que este dinheiro deveria de ser canalizado para obras sociais», frisa Jorge Vala, admitindo que o executivo tem perguntado «publicamente» se existe «alguém que passe fome» ou tenha dificuldades «com as necessidades básicas».