A Câmara Municipal de Porto de Mós está a apoiar com bens de primeira necessidade, refeições confecionadas e apoio à medicação, 222 agregados familiares, o que corresponde a um total de 523 pessoas. Os números foram avançados pelo presidente da Câmara na reunião do executivo camarário, de 30 de março.

A estas famílias há ainda a juntar mais 127 (num total de 284 pessoas) que são apoiadas pelo Fundo Europeu de Apoio a Pessoas Carenciadas (FEAC) e mais seis pessoas que estão a usufruir do apoio da cantina social da Santa Casa da Misericórdia de Porto de Mós, adiantou o autarca, destacando, assim, que no concelho há atualmente mais de 800 pessoas a receber apoio municipal e/ou europeu por motivos de insuficiência económica, um número bastante superior «aos 15 agregados familiares (49 pessoas) que em 2018 estava a ter apoio da Loja Social» do município.

De acordo com Jorge Vala, não só há muito mais gente a ser apoiada, como se alterou a forma como as ajudas chegam às famílias e, inclusive, houve mudanças em termos do pacote de bens alimentares fornecido. Assim, beneficiando da rede já montada e do conhecimento que há da realidade local e de uma ação pautada pela discrição, o apoio no terreno é dado pelos vários grupos sócio-caritativos existentes no concelho e para os quais a Câmara canaliza os bens que depois irão integrar cada um dos cabazes a distribuir pelas famílias.

As juntas de freguesia ajudam também na identificação de agregados familiares que possam estar a passar por dificuldades económicas (nomeadamente por motivos de desemprego ou doença de algum dos seus elementos) mas depois o contacto direto é feito pelos voluntários dos grupos sócio-caritativos, como é, por exemplo, o caso da Conferência de São Vicente de Paulo, que por si só, já ajudava as famílias mais carenciadas. Desta forma, reforça Jorge Vala, os bens chegam a quem mais deles precisa, de uma forma discreta, e isso é bastante importante porque, no seu entender, a experiência da Loja Social mostrou que as pessoas, por vergonha, «não se voluntariavam para vir buscar os produtos».

Em termos de bens alimentares dispensados, além dos produtos de longa validade como enlatados, secos e azeite, que já eram dados, foram acrescentados os frescos (carne, peixe, fruta e legumes). A par disto, o Município apoia com produtos de higiene e de limpeza para dar resposta «àquilo que são as necessidades primárias da cada família nesta área em particular». «Temos 68 pessoas a ser apoiadas ao nível da medicação e durante este período [de pandemia] já fornecemos cerca de três mil refeições confecionadas», reforçou o responsável autárquico. Perante este cenário, Jorge Vala diz que é com grande satisfação que afirma que «no concelho de Porto de Mós não há fome e se, eventualmente, houver alguém que saiba de alguma família que esteja com dificuldades e que precise de apoio alimentar, o Município está cá para responder».

Sem pôr em causa os dados avançados, Sofia Caetano, vereadora do movimento AJSIM, sublinhou, no entanto, que «em relação às famílias que foram apoiadas em 2018, quer sejam pessoas idosas quer sejam agregados familiares, não nos podemos esquecer que não havia pandemia nesta altura, havia mais emprego, uma conjuntura económica diferente». Algo desagradado, Jorge Vala respondeu que, pelo contrário, «havia mais 200 desempregados do que há agora», acrescentando: «Se a Loja Social é o ideal na sua perspetiva, eu prefiro dizer: No concelho de Porto de Mós não há fome!».

Em resposta, Sofia Caetano sublinhou não estar a dizer «que a Loja Social é melhor ou deixa de ser» mas, apenas, a recordar que «a situação económica mudou, porque havia muitas franjas da população que não faziam descontos e que trabalhavam de outra forma e, então, estas pessoas deixaram de ter rendimentos».