Um aumento de capacidade para mais 44 crianças em creche e três novos projetos em cima da mesa para intensificar o apoio do Centro Paroquial de Assistência do Juncal (CPAJ) à comunidade. As novidades foram apresentadas no dia da celebração dos 61 anos da instituição e quem esteve presente ficou a conhecer as novas apostas sociais do CPAJ, que pretendem «suprimir algumas lacunas e dificuldades que se têm sentido na comunidade», avançou o diretor técnico da instituição, Lúcio Alves.

Bárbara Morgado, uma das responsáveis pela dinamização do projeto intitulado Porto Jovem, começou por explicar que o principal objetivo passa por «conseguir captar os jovens para um espaço menos formal do que, por exemplo, a escola, para ser mais fácil de chegar até aos adolescentes, fazendo assim um trabalho mais focalizado», admite. Para isso, vão existir «três tipos de atividades, as não formais onde são trabalhadas as competências como a comunicação, relações interpessoais, escolhas conscientes, educação sexual, entre outras com um impacto mais educacional, outra categoria são as atividades de lazer, património e cultura, onde se integram por exemplo caminhadas, kart e arborismo, explica. Bárbara Morgado avança ainda que o projeto prevê também desenvolver as competências dos jovens, através da promoção de workshops. Além das atividades de formação, integração e interação, Bárbara Morgado considera ser fundamental «criar um trabalho de união entre a equipa do projeto, as famílias e os jovens, contribuindo para a missão de educar, dando aos pais/educadores ferramentas para lidar com os vários desafios que vão surgindo durante a vida dos mais jovens». Esta associação juvenil de âmbito concelhio, localizada no Juncal, vai ser inaugurada já amanhã, 1 de abril. Bárbara Morgado mostra-se confiante relativamente ao projeto e acredita «que tem tudo para correr bem».

Um Centro de Apoio Familiar e de Aconselhamento Parental (CAFAP) foi outro dos projetos anunciados. Lúcio Alves explica que se «trata de uma resposta social inovadora que pretende atuar ao nível do concelho, ajudando na promoção e estimulação de competências parentais, evitando, por exemplo que as crianças possam ser retiradas às famílias. Assim, segundo o diretor técnico, o objetivo é, através de uma equipa multidisciplinar «acompanhar, capacitar e ajudar famílias em situação de vulnerabilidade social».

«Trabalhar e dignificar o papel das famílias no concelho», é uma premissa no trabalho do CPAJ, avança Lúcio Alves, que fez ainda a apresentação de um projeto que tem por base o acolhimento familiar e que, de alguma forma, se liga ao projeto anterior, uma vez que ambos estão focados na integração das crianças e jovens com as suas famílias. Intitulada Porto de Laços, esta nova iniciativa corresponde a «uma resposta social que prevê, através de um acordo de cooperação com a Segurança Social, desenvolver atividades de mediação, formação e acompanhamento de famílias na comunidade, disponíveis e interessadas em receber e acompanhar crianças». Lúcio Alves acredita «que é muito mais significativo para o desenvolvimento de uma criança, estar integrada numa família, embora durante um período temporário». O objetivo destas famílias de acolhimento é «desempenhar um papel de cuidadores e tutores, apoiando a criança até estarem reunidas as condições de regresso à sua família de origem», acrescenta.

O diretor técnico revelou ainda que está a ser pensado um projeto em comum com a paróquia: um Centro de Acolhimento de Emergência, de modo a fixar famílias no Juncal, com menos possibilidades económicas. O objetivo de todos estes projetos passa por intervir não só a nível da freguesia, mas do concelho e até fora dele, frisa.

CPAJ celebra os seus 61 anos de existência

«Tudo começou na década de 60, com a chamada sopa dos pobres», foi assim que o diretor do Centro Paroquial de Assistência do Juncal (CPAJ), Lúcio Alves, começou por explicar a história da instituição que celebrou no passado dia 19 de março o seu 61.º aniversário. Em declarações a O Portomosense, o diretor referiu que «o CPAJ começou por ser uma instituição de apoio social a famílias carenciadas» e, embora atualmente não tenha abandonado essa função, foi evoluindo ao nível das suas instalações e dos serviços que oferece à comunidade. «Hoje trabalham no CPAJ 30 funcionários, responsáveis por cerca de 150 crianças em creche, pré-escolar e ATL», avançou Lúcio Alves.

Para assinalar os 61 anos de casa, o CPAJ acolheu, no Dia do Pai, uma Eucaristia presidida pelo padre António Cardoso, presidente da instituição, na qual destacou a importância de todos os membros que fazem parte do CPAJ para que este continue a existir passados 61 anos, desde os colaboradores, às crianças e às suas famílias. No final da celebração foram ainda homenageados antigos trabalhadores do CPAJ, a quem foi entregue uma lembrança.

António Cardoso destacou a importância «desta casa para a freguesia e para a paróquia», acrescentando que a instituição é «uma referência histórica dentro da comunidade do Juncal, por ter sido algo que nasceu com ela», disse a O Portomosense. Agora, «com este rosto novo que a instituição tem», fruto das obras, que permitiram renovar espaços e aumentar o CPAJ, o maior desafio passa por saber gerir este aumento de capacidade, tanto do número de crianças, como das novas famílias que vão passar a fazer parte deste centro paroquial. No entanto, segundo António Cardoso, «é de louvar tantos anos e esta casa estar viva e renovada», acrescentando que este é o resultado de um trabalho conjunto entre todos os que se entregam e «vestem a camisola» pela instituição.

O aniversário do CPAJ foi ainda marcado por várias atividades destinadas às crianças, nomeadamente ateliês de barro, de jardinagem e de pinturas, onde, juntamente com as famílias e alguns funcionários da instituição, as crianças puderam brincar essencialmente com elementos naturais.

Durante este dia, foram ainda benzidas as novas instalações da instituição pelo padre António Cardoso, atual presidente do CPAJ.

Pudim solidário para evitar desperdício

O pudim solidário é um projeto recente do Centro Paroquial de Assistência do Juncal (CPAJ), «feito a partir de produtos provenientes de excedentes de estabelecimentos comerciais de Porto de Mós: pão, ovos e laranjas que sobram dos quintais dos vizinhos e amigos do CPAJ». De acordo com a instituição, a iniciativa está assente numa «lógica de economia circular e de integração social de pessoas com dificuldade de colocação no mercado de trabalho». Os lucros resultantes da venda do pudim solidário revertem «na totalidade para a atividade solidária Porto Jovem, focada no desenvolvimento social e na capacitação e empowerment de adolescentes e jovens do concelho», informa nota da instituição. Este produto, pode ser encomendado através do e-mail: [email protected] e as entregas são feitas apenas em Porto de Mós às sextas-feiras.

Fotos | Rita Santos Batista
Revisão | Catarina Correia Martins