A Câmara quer baixar para menos de 25% as perdas de água no sistema revela o presidente, Jorge Vala à conversa com O Portomosense, a propósito dos dados do último relatório do ERSAR que apontam para 44,5 % de água não faturada no concelho.

De acordo com o relatório anual da ERSAR, Porto de Mós, em 2017, não faturou 44,5% da água que colocou no sistema. Esta percentagem é aceitável tendo em conta a realidade local ou é desejável e possível baixá-la?

Importa referir que o valor não corresponde às perdas mas sim à soma resultante de vários indicadores tais como: fugas de água, perdas aparentes por erros de medição e controlo, consumos próprios nos edifícios e infraestruturas municipais e, ainda, as concessões de água às juntas de freguesia, IPSS, ONG, entre outras.

O objetivo do Município de Porto de Mós é promover o uso eficiente e sustentável do recurso “água” no concelho, estando a trabalhar para a otimização dos sistemas de rega, com vista à redução do consumo de água, à reabilitação de reservatórios e substituição de condutas com idade elevada e tipologia de materiais obsoletos, que apresentam um desempenho inadequado correspondente a um elevado grau de perdas.

Uma vez que essa informação não aparece no relatório da ERSAR, pode-nos indicar, entre os 44,5% de água não faturada, a percentagem que corresponde a perdas de água?

38,91%.

Também aqui [perdas de água], considera o valor aceitável ou é intenção sua e do seu executivo tudo fazer para baixar a percentagem registada no ano em apreço?

Não, o objetivo é que o valor dê cumprimento ao PENSAAR 2020 e se situe abaixo dos 25%.

A luta contra as perdas de água foi uma das “bandeiras” do anterior executivo e segundo dados revelados na altura os resultados estavam a ser positivos. A mudança de equipa autárquica alterou de algum modo esta visão do problema ou o combate às perdas de águas continua a ser uma prioridade?

A luta contra as perdas de água será sempre uma prioridade para nós, por todos os motivos: porque este é um bem essencial que deve ser preservado, porque as perdas significam prejuízos para todos e, finalmente, porque denunciam que o sistema de abastecimento de água do concelho não cumpre o seu papel na íntegra. Cremos que ter como “bandeira” a luta contra as perdas de água deveria significar fazer mais. Abandonar o sistema de telegestão existente em vez de investir na sua modernização ou deixar em perda vários reservatórios por falta de manutenção não nos parece, de todo, um investimento que foi identificado como “bandeira” de um executivo.

O nosso trabalho tem assentado em definição de estratégias, e no que ao abastecimento de água diz respeito, a nossa estratégia passa, definitivamente, pelo investimento em todo o sistema, visando a sua eficiência e a prestação de um serviço melhor ao munícipe, tendo presente que são necessários grandes investimentos para garantir um serviço eficaz e eficiente. Assim, o combate às fugas de água é uma prioridade, representando grande parte do investimento feito na área no abastecimento de água. Prova disso são as obras que têm sido concretizadas neste sentido, nomeadamente, a substituição da conduta elevatória de Pinhal Verde, a renovação da rede de abastecimento de água de São Jorge (Av. Nuno Álvares Pereira), a substituição da conduta elevatória de São Jorge, a substituição de condutas na Mendiga, a renovação da rede de abastecimento de água da zona baixa de Mira de Aire e está, ainda, prevista a substituição da rede de abastecimento de água em Casais de Matos e Vale de Água.

Em Dezembro de 2018, o Governo lançou uma linha de apoio às autarquias para que possam realizar investimentos no sentido de reduzir a percentagem da água que se perde no sistema. Porto de Mós poderá vir a candidatar-se?

Sim, o Município de Porto de Mós pretende candidatar-se e está, neste momento, a trabalhar nesse sentido. Está, por isso, a ser preparada uma candidatura que tem como objetivo a substituição dos contadores com mais de 12 anos, a substituição de condutas obsoletas e com sistemáticas roturas, a instalação de controlos de medição em todas as entradas e saídas para a rede de distribuição, além da necessária e urgente monitorização do sistema através de instalação de equipamentos de controlo atualmente inexistentes.

ISIDRO BENTO | texto