Este ano não há Festas de São Pedro mas o santo terá o lugar que lhe é merecido nas comemorações do Dia do Município. Pelo menos, essa é a convicção do padre José Alves, o pároco local, que numa curta entrevista fala ainda sobre a fé dos seus paroquianos e daquilo que distingue Porto de Mós das outras terras por onde já passou.

Como é ser padre nas paróquias de Porto de Mós?
Ser padre é uma aventura e um desafio em qualquer parte do mundo. Ser padre em Porto de Mós tem sido uma aventura e um desafio constante. Não tenho encontrado muitas dificuldades nesta missão e tenho tido bons colaboradores. Mas como aventura que é, quando se lança um projeto, se realiza uma atividade ou simplesmente uma oração pessoal, nunca sabemos ao certo qual o resultado alcançado nem as dificuldades que se podem encontrar. Também por isso é sempre um desafio. Cada dia e cada momento é novo e único. E nunca se consegue atingir a perfeição. Por isso, haverá sempre uma parte de insatisfação e de tristeza, mas que é uma alavanca para abraçar novo desafio.

Em Porto de Mós, paróquia que, entre todas, já bateu o recorde de anos da minha permanência (11 anos), o maior desafio tem sido de cariz pastoral. É claro que fui dando o meu pequeno contributo na construção da sede dos escuteiros e em mais algumas obras mas o trabalho fundamental tem sido as atividades com alguns grupos nomeadamente catequese, escuteiros, liturgia, comissões de festas, conselho económicos, Alpha, etc. Olhando para os resultados, poderei pensar que pouco se tem feito e pouco êxito se tem conseguido. Porém, recordo algumas pessoas que sei que ajudei em momentos cruciais da sua vida; sei de muitos momentos de vivência intensa da alegria da fé. Consegui reunir equipas de trabalho e criar boas amizades. Portanto, o saldo é muito positivo.

Na sua opinião como é que as pessoas da paróquia vivem a sua fé?
Umas vivem-na de um modo tradicionalista. Poderemos dizer que este é o maior grupo. Outras não se preocupam minimamente com isso e até desconsideram socialmente quem tem fé porque se acham intelectual e culturalmente superiores. Outros tentam viver com autenticidade, com estudo e fundamento bíblico-teológico a sua fé. É claro que estes são o grupo mais reduzido.

Enquanto padre e responsável pela paróquia a pandemia obrigou-o a reinventar-se?
É claro que tive de me reinventar como celebrar as missas sem povo e transmitindo-as via Facebook, algo que teve muito boa aceitação e que ajudou muitas pessoas neste tempo de pandemia. Agora, espero o momento do “vai ficar tudo bem”.

Considera que as Festas de São Pedro têm conseguido evocar o santo que lhes dá nome?
Sim, em todos estes anos a parte religiosa da festa tem mantido a tónica na Festa de São Pedro. Nem sempre com o mesmo enlevo mas mesmo assim foi sempre uma parte importante. Certamente para a maioria das pessoas, não, mas para os cristãos da paróquia, sim!

São Pedro é, afinal, padroeiro do concelho ou só da paróquia?
São Pedro é o padroeiro da paróquia de São Pedro, tal como São João Batista o é da de São João. Este ano, em princípio, as duas serão unidas numa só mas ficaremos com os dois padroeiros. O concelho é uma divisão territorial, não faz sentido que tenha um padroeiro, até porque os poderes políticos mudam facilmente de cor e de convicções. Por outro lado, se há a lei de separação de poderes, e os políticos frisam isso hiperbolicamente para não dar apoios às igrejas como dão aos clubes, e outras associações, é melhor manter as realidades distintas. O concelho não precisa de um padroeiro, precisa de bons políticos.