Nesta edição comemorativa, que assinala os 900 números deste jornal nas bancas temos um entrevistado especial. Em nome próprio, O Portomosense responde às nossas questões sobre a sua formação e identidade.

O Portomosense, como e quando nasceste?

Nasci por saber da necessidade que as pessoas do concelho de Porto de Mós sentiam, sobretudo os que estavam fora, de terem notícias da sua terra, pois há já muitos anos que não havia por cá qualquer meio de comunicação impresso, embora tivesse havido um pequeno jornal, mas de Leiria, que durante vários anos publicou semanalmente uma página dedicada a este concelho. Já me esquecia, nasci no dia 6 de janeiro de 1983, dia de Reis.

Quem foi o teu criador?

O meu criador foi um senhor que, durante a maior parte da sua vida, não viveu em Porto de Mós e sentia a tal necessidade de que falei antes. Quando se reformou, regressou às suas origens e, como tinha alguns conhecimentos da área jornalística, falou com várias pessoas influentes e resolveu criar-me. Segundo ele contava, foi um parto um pouco difícil, mas com a sua persistência e ajuda de algumas (muitas) pessoas conseguiu que eu me fosse criando. Sem querer esquecer-me de prestar aqui uma pequena homenagem ao meu criador, lembro que se chamava João António Matias e teve como principais auxiliares os portomosenses José Luís Vieira Costa e Artur Duarte Vieira.

Qual era a tua principal missão?

A minha principal missão era a de informar com clareza e isenção. Como se sabe, o meu criador era um portomosense de gema e, por isso, amava Porto de Mós. Por via disso ele procurava colocar nas minhas páginas, em primeiro lugar, tudo o que dizia respeito a Porto de Mós e quando digo Porto de Mós não me refiro só à vila, mas sim a todo o concelho. A ideia do meu criador era transmitir aos leitores, tanto de cá como de fora, tudo o que se passava em Porto de Mós, embora muitas vezes isso não fosse possível. A minha missão, como disse, era a de informar e penso que o tenho feito ao longo de todos estes anos.

Como foi juntares-te à Rádio Dom Fuas?

Esse foi um processo que se antevia difícil, mas que acabou por ser mais fácil do que se previa. O meu fundador andava preocupado com o meu futuro, porque estava com a idade um pouco avançada e não previa que houvesse continuadores credíveis para me sustentar. Por outro lado a Rádio Dom Fuas, uma rádio pirata do concelho, elaborava o processo de legalização, que se mostrava bastante difícil. Então aconteceu o que se costuma dizer: “Juntou-se a fome com a vontade de comer”. Os responsáveis da Rádio Dom Fuas falaram com o Senhor João Matias e chegaram a acordo. O meu fundador cedeu o meu título à CINCUP, cooperativa entretanto criada para o efeito. Além disso, João Matias manteve, durante algum tempo, a função de diretor e dava todo o apoio na parte redatorial. Assim aconteceu durante algum tempo. Eu mantive-me até agora, a Rádio foi, entretanto, legalizada e também se mantém até aos dias de hoje. Penso que ambos, de mãos dadas, continuaremos as nossas missões por muitos anos.

Qual achas que é hoje o teu papel na sociedade?

Sei que atualmente desempenho um papel muito importante na sociedade e sou visto por muita gente, especialmente os portomosenses que estão fora, quer seja no nosso país ou no estrangeiro, como um elo de ligação, porque ao olharem para mim estão a ver a sua terra natal. Poderão dizer que as novas tecnologias se colocam à minha frente, mas hoje elas também fazem parte da minha identidade, e seja em papel ou num ecrã, continuo a ter fiéis seguidores.

Armindo Vieira | texto
Catarina Correia Martins
Jéssica Moás de Sá