Foto: Armindo Vieira

A praça da República, na vila de Porto de Mós, encheu durante oito noites de 20 de julho a 4 de agosto com a 5.ª edição do Teatro de Rua. Foram oito os grupos de teatro amador, vindos de diversas partes do concelho, que animaram outras tantas noites.

Este ano, com a particularidade de se ter criado mais um grupo de teatro, o Teatro de Rua tinha como tema Natureza e Recursos Naturais e é uma parceria do Município de Porto de Mós com o Leirena – Grupo de Teatro.
Assim, foram representadas diversas peças teatrais, umas com mais outras com menos piada, no entanto houve algumas que fizeram com que o público presente risse em sonoras gargalhadas.

O primeiro grupo a entrar em cena foi o Teatr’Ambu – Grupo de Teatro de São Jorge, que representou a peça O Testamento, em que as herdeiras da família Ferreira de Sousa e Sá, após a morte do pai, ficaram com a tarefa de gerir a herança e seguir os seus últimos desejos. De todos os bens há um mais problemático, um pinhal…
Os Miúdos da Serra – Grupo de Teatro de Alqueidão da Serra, o segundo grupo a entrar em cena, trouxeram à vila a representação da peça A Valicova, que chamava a atenção para a sensibilização dos adultos para não poluírem o vale, como acontecera anos antes em que a Valicova era um poço de lixo.

Na terceira noite de representações, apresentou-se o Mendigal – Grupo de Teatro de Mendiga e Arrimal, com a peça Um Tasca Deferente, vendo que havia interessados em adquirir as lagoas de Arrimal, o que iria comprometer o bem-estar e a qualidade de vida da zona, os moradores levantaram-se e criaram condições para que isso não acontecesse.
Coube ao Grupo de Teatro de Mira de Aire – Um Par de Cinco animar a quarta noite da praça da República. Trouxe ali a peça Água Mole em Mente Dura que, através de um grupo de ativistas conseguiu sensibilizar a população local e também, os empresários a não poluírem as águas.

A quinta noite teve a responsabilidade do Trupêgo – Grupo de Teatro de Porto de Mós, que representou a peça Fracking, que conta a história de um bilionário que procura investir milhões na exploração de gás. Diz-se que o investimento é grande e favorecerá a economia local. Entretanto a população acorda e inviabiliza o processo.
Tradições e Confusões foi a peça trazida ao festival pelo Teatroleiros – Grupo Amador de Teatro da Fonte do Oleiro, que se apresentou pela primeira vez, e que retratava a alteração da pacatez da povoação da Fonte do Oleiro, devido à chegada da nova namorada, uma lisboeta, do Chico, um jovem do lugar.

O JuncaTeatro – Teatro Regional do Juncal apresentou-se na praça com a peça Santa Joana, em que uma jovem, a Joana, procura ajudar o planeta e os trabalhadores de uma central de tratamento de resíduos, com um capitalista a tentar eliminar toda a concorrência, não olhando a meios ou fins.

Encerrou o Festival de Teatro de Rua deste ano, o Olaré – Grupo de Teatro de Serro Ventoso, com a peça O Parque, que recordou, através duma exposição de fotografia, as peripécias ocorridas aquando da instalação do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros.

António Almeida homenageado

No final, o presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós, Jorge Vala, elogiou a ação desenvolvida por todos os grupos que participaram e aproveitou para prestar uma pequena homenagem a António Almeida, fundador e ator do Grupo de Teatro Trupêgo.

Considerando o homenageado como «um homem que muito tem lutado para que o teatro em Porto de Mós não acabe», o autarca fez a entrega de forma simbólica da chave da vila de Porto de Mós, referindo que se trata de «uma homenagem merecida pelo seu envolvimento com a comunidade local nos diversos projetos que se envolve, entregando-se de corpo e alma».

Para Eduardo Amaral, vice-presidente e responsável pelo pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Porto de Mós, o balanço do evento «foi bastante positivo», por ser um «projeto de envolvimento comunitário onde os próprios atores escrevem as suas peças, para depois representar», contando com o apoio de encenadores profissionais.