Foto: Catarina Correia Martins

A 16 de janeiro de 1920 nascia Guilhermina Ferreira Rosa. Completou na semana passada 100 anos de vida. E no dia da festa, O Portomosense foi conhecê-la.

Utente na Associação de Bem-Estar da Cruz da Légua, foi lá que a encontrámos, maquilhada e bem arranjada, porque era dia de comemorar. Diz que nunca pensou chegar a esta idade, mas que teve uma vida feliz, «a trabalhar desde nova», apesar de guardar consigo duas mágoas: «Tive quatro filhos, morreram dois, e não é fácil, não é nada fácil. [Já passaram alguns anos mas] Está cá dentro na mesma e não há momento nenhum no dia que eu não me lembre deles, nunca passa», conta. Natural do Andaínho (Juncal), Guilhermina Rosa afirma ter tido «um bom marido» que «nunca foi capaz» de lhe «dar sequer um estalo». Do casamento nasceram, então, quatro filhos, que deram origem a oito netos e seis bisnetos, todos muito presentes na vida da anciã da família.

Foi aquando da morte do marido que foi para a Associação, onde entrou em 2008, primeiro em regime de Centro de Dia, passando depois à vertente Lar. Guida Beato é animadora na instituição e recorda os tempos em que Guilhermina chegou: «Quando veio, fazia mais parte das atividades de trabalhos manuais. Entretanto, essa parte começou a não estar tão ativa. De resto, todas as outras atividades, os jogos, as atividades físicas, a ginástica, sempre que há missa ou rezamos o terço, está sempre aberta a todas as atividades», revela. «O que vejo é que o peso da idade a faz achar que tem que ter problemas. Como se vê com 100 anos, acha que quando as outras dizem que lhe dói alguma coisa, tem que responder: “Então e a mim? Não me há-de doer mais? Tenho 100 anos.”», conta a animadora, acrescentando que, na sua opinião, a utente «vive bem na idade dela. Comparativamente a tantas outras pessoas mais novas, está muito bem».

Também a diretora técnica, Ana Cruz, considera Guilhermina uma pessoa «muito ativa», que está «sempre atenta»: «Apesar de não estar diretamente envolvida, não é pessoa que se meta com este ou com aquele, não é inconveniente ou desagradável, está sempre atenta. Normalmente, passa o tempo na sala dos jogos e vê passar as pessoas, sabe quem entra, quem sai, gosta de acompanhar tudo, a capacidade de raciocínio dela está muito boa», afirma, revelando que até em termos de mobilidade é ainda muito independente.

A tarde do dia 16 foi de festa. Numa sala decorada a rigor, Guilhermina celebrou com a família e alguns amigos da instituição. A anteceder um lanche, a tarde começou com a celebração da Eucaristia, momento que, durante a manhã, mereceu um comentário divertido da aniversariante: «Diz que há aí uma missa, não sei porquê, eu ainda estou viva, não é pela minha alma, de certeza».