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Os 638 anos da Batalha de Aljubarrota foram celebrados em São Jorge

26 Agosto 2023
Isidro Bento

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Isidro Bento

26 Ago, 2023

São Jorge (Calvaria de Cima) voltou a ser o palco principal da celebração de mais um aniversário da Batalha de Aljubarrota (ou Batalha Real). No dia 14 de agosto, completaram-se os 638 anos desse momento de tão grande relevo na história de Portugal, pelo que o Exército Português, a Fundação Batalha de Aljubarrota e os municípios de Porto de Mós e Batalha voltaram a unir esforços para a evocação condigna da batalha
que culminou na vitória portuguesa sobre as tropas de Castela que pôs término à crise de 1383-1385, consolidando com este feito a independência de Portugal.

A presidir à cerimónia esteve o Major General António Joaquim Ramalhôa Cavaleiro, diretor de História e Cultura Militar do Exército. Entre os convidados, alguns militares estrangeiros.

O programa comemorativo arrancou, como é hábito, com missa campal de homenagem aos mortos em combate na Batalha de Aljubarrota, este ano celebrada pelo capelão do Regimento de Artilharia n.º 4, de Leiria, (e também pároco de Pousos, Leiria), Tenente-coronel Luís Mouroço Ferreira, tendo como co-celebrante o padre José Henrique Pedrosa, pároco da Calvaria de Cima. Os cânticos foram assegurados pelo grupo coral da igreja local. A guarda de honra foi constituída por uma força de esquadrão secção do Regimento de Artilharia n.º 4 sob o comando do 2.º Sargento RC Marco Marques.

Cumprida a cerimónia religiosa e depois da guarda de honra prestar continência ao major general, seguiu-se a homenagem aos mortos com deposição de coroas de flores junto à imagem de D. Nuno Álvares Pereira. António Ramalho, o presidente da Fundação Batalha de Aljubarrota (FBA), foi o primeiro a prestar este solene ato de reconhecimento. Seguiu-se o vice-presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós,
Eduardo Amaral, e Ramalhôa Cavaleiro, em representação do Exército Português.

Ouvido o toque de silêncio (o toque de homenagem aos mortos em combate), o capelão, proferiu uma prece em memória dos militares que naquele mesmo lugar perderam a vida, a que se seguiu o toque de alvorada, «um hino de esperança e de fé na convicção de que o esforço e o sacrifício dos camaradas de armas não foram em vão».

Evocação histórica para crianças e jovens

Após mais este momento solene teve lugar a habitual evocação histórica pelo Coronel de Infantaria “comando”, na reforma, Américo José Guimarães Fernandes Henriques. O historiador militar vendo entre convidados e população em geral um número invulgar de crianças e jovens foi para esses que dirigiu uma breve alocução enaltecendo a sua presença «neste chão sagrado de Portugal, neste campo de batalha onde a independência de Portugal esteve em jogo e foi vencida e ganha», presença essa que, no seu entender, deve servir para lembrar, precisamente, às crianças e aos jovens «que aqueles que aqui se bateram são «merecedores» do seu «reconhecimento», da sua «estima» e da sua «amizade».

«Quando a independência de Portugal está em perigo (e quantas vezes já esteve ao longo da História), meus queridos miúdos, podem ter a certeza que é na instituição militar e na vontade do povo alistado nas fileiras que repousa a segurança, a tranquilidade e a continuação de nove séculos de história», disse dirigindo-se ao seu jovem público, a quem recordou que «o que se passou aqui há 638 anos não foi mais do que a afirmação do querer, da vontade de um povo ser livre, soberano e independente, essa verdadeira saga que nos acompanhou desde São Mamede, em quatro chãos sagrados de Portugal e onde a nossa independência foi salva graças ao sacrifício dos melhores filhos da nossa pátria sagrada».

A cerimónia militar teve um último momento na Capela do Fundador, no Mosteiro da Batalha, com a deposição de coroas de flores junto ao túmulo de D. João I, e que teve como protagonistas, os representantes da FBA e do Exército, bem como o vice-presidente da Câmara da Batalha. Também aqui foram prestadas honras militares e Américo Henriques fez uma breve evocação histórica afirmando, entre outras, que «foi no campo da Batalha de Aljubarrota que nasceu a epopeia [marítima] portuguesa».

Promessa real recriada

As novidades ao programa celebrativo tiveram lugar à tarde. Tudo começou com a Chamada de Armas, um quadro vivo protagonizado pela Companhia Livre, a que se seguiu uma intervenção de introdução e boas vindas por parte do presidente da FBA. Depois, houve a recriação medieval de A Promessa de D. João I, protagonizada pela mesma companhia de teatro histórico, em que foi evocada a promessa do rei de construir
o Mosteiro de Santa Maria da Vitória. E foi precisamente na Batalha, no dia do seu feriado municipal, que terminaram as comemorações com a realização do Concerto do Condestável pela Banda Sinfónica do Exército, fruto de um protocolo entre a Sociedade Histórica da Independência de Portugal, a Câmara da Batalha e a FBA. O concerto que exalta a figura ímpar de D. Nuno Álvares Pereira será apresentado no Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota, em São Jorge, no próximo ano e depois de cinco em cinco anos.

Foto | Isidro Bento

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