Passaram quase seis meses desde o dia definido para o arranque da Missão Guiné 2020. A pandemia que tem assolado o mundo inviabilizou a sua concretização, levando a que fosse adiada mas não cancelada ou esquecida. Em julho, O Portomosense falou com o presidente da Associação Serviço e Socorro Voluntário de São Jorge (ASSVSJ), Nuno Rebocho, que além de explicar as razões, quase óbvias, que estariam na origem do adiamento, deu ainda a conhecer a nova data. Já na altura, o responsável confessava alguma apreensão sobre a eventual concretização da missão e os seus receios acabaram por se confirmar.

A missão voltou a ser adiada e as sete dezenas de voluntários que planeavam rumar à Guiné-Bissau, no passado dia 4, acabaram por ficar em terra, assim como, mais de 21 viaturas. «Tivemos que adiar sobretudo por razões sanitárias. Alguns países de África estão a atingir o pico da pandemia e a situação acaba por não oferecer condições de segurança do ponto de vista de saúde para nós podermos fazer a missão», conta a O Portomosense o presidente da associação, adiantando que a decisão foi tomada há várias semanas, quando certos países começaram a ficar «completamente fora de controlo».

De olhos postos no futuro, a ambição é que a missão possa ser finalmente concretizada «entre final de abril e princípio de maio» de 2021. «Estou confiante que a próxima é de vez!», atira. Apesar de garantir que a «esmagadora maioria» dos voluntários continua disponível para embarcar na aventura, Nuno Rebocho antecipa que alguns já não tenham possibilidades de ir e por isso, as candidaturas foram reabertas. «Hão-de haver algumas pessoas que estavam disponíveis para ir mas que quando chegar essa altura, podem não reunir as condições financeiras para o fazer. Mas, por incrível que pareça, já temos 15 candidaturas», sublinha.

Qual o número de voluntários que embarcarão na viagem? Qual a duração da missão? Que quantidade de material poderão levar? São apenas algumas das muitas dúvidas que, neste momento, pairam sobre a realização daquela que será a quinta missão integrada no projeto Trilhos de Uma África Negra, coordenada pela ASSVSJ. No entanto, há algo que Nuno Rebocho tem a certeza: «As coisas estão a complicar-se dia após dia lá [na Guiné]. A ajuda é cada vez mais escassa e a necessidade mais premente». Até lá, há muito trabalho pela frente, nomeadamente na organização do pavilhão que está «completamente virado do avesso».

Nuno Rebocho considera que o projeto está a ser «acarinhado por muita gente» e é também uma forma de «fomentar o espírito solidário»: «Vamos precisar dele e muito, aqui no nosso país», justifica.