Foto: Bombeiros Voluntários de Mira de Aire

José Pedro nasceu na manhã do passado dia 26 e vai ter uma história diferente para contar: nasceu numa ambulância dos Bombeiros Voluntários de Mira de Aire. Às 9h37 a corporação foi chamada a socorrer uma grávida em trabalho de parto. Quando a equipa chegou ao local, «curiosamente, a senhora já estava à espera à entrada de casa», começa por explicar Vítor Niné, adjunto do Comando e um dos elementos que ajudou no parto. «Perguntámos como estava a situação e ela disse-nos que já lhe tinham rebentado as águas e que estava com contrações de cinco em cinco minutos», conta. Sabiam então que o parto poderia acontecer a qualquer momento. Este é o segundo filho de Elsa Carpinteiro, de 39 anos, que segundo o bombeiro, «nunca esteve em perigo».

Vítor Niné e Sandra Rodrigues, também bombeira, tiveram a ajuda dos elementos da ambulância de Suporte Imediato de Vida de Torres Novas. «Assim que eles chegaram, passados três ou quatro minutos, o bebé quis nascer e veio ao mundo dentro da nossa ambulância», lembra Vítor Niné. «Para mim e para a minha colega foi a primeira vez. Há sempre aquele nervoso miudinho, como é lógico, mas foi um parto tão natural, que foi uma experiência sem dúvida única, fantástica mesmo», afirma o bombeiro. Também para a sua companheira de equipa, Sandra Rodrigues, foi «espetacular, muito bom». A bombeira reitera que «as coisas correram todas normalmente» e que «foi uma coisa excecional mesmo, não tem bem explicação». O pequeno José Pedro e a sua mãe foram depois transportados para o Hospital de Santo André, em Leiria.

A façanha repete-se

Numa publicação na sua página de Facebook, a corporação considerou este momento como uma prenda: «Sendo novembro o mês do aniversário da nossa associação [que completou 37 anos no dia anterior ao parto], será alguém a entregar-nos presentes maravilhosos, fantásticos e únicos como este?», pode ler-se. Um presente repetido já que há três anos, também no mês de novembro, uma situação semelhante aconteceu.

Os partos nas ambulâncias não acontecem todos os dias, mas os bombeiros de Mira de Aire têm já alguma experiência no assunto. E não é um feito recente. A 19 de julho de 1974 nascia Vítor Veríssimo, a bordo de uma das ambulâncias da corporação. «A minha mãe sempre me contou que ia a caminho de Torres Novas e que quando chegámos ali a Casais Robustos [Alcanena], rebentaram as águas e eu já estava com a cabeça de fora», conta. «Fizeram-lhe o parto, a minha mãe saiu da ambulância, estava ali uma casa com um carvalho ou uma azinheira e aí é que fizeram tudo. Depois tiraram o atacador do meu sapatinho e ataram ao umbigo e assim fizeram as coisas» acrescenta, evocando um tempo em que tudo era muito mais rudimentar do que nos dias de hoje.

Vítor Veríssimo, natural de Mira de Aire diz que «ainda gostava de saber» quem foi o bombeiro que o trouxe ao mundo. Só sabe que se chamava Vítor e que é a ele que deve o seu nome: «Ele queria ser meu padrinho, mas os meus pais disseram que eu já tinha padrinho. E o bombeiro então disse: “Já que não posso ser padrinho dele, pode, ao menos, pôr-lhe o meu nome?”. Eu era para me chamar Ricardo, mas depois fiquei Vítor», conta. Quantos mais bebés terão estes “soldados da paz” ajudado a nascer?