O escritor Paulo Assim, natural da freguesia da Calvaria de Cima, é o vencedor da edição deste biénio do Prémio Literário Afonso Lopes Vieira, na modalidade de Poesia, com a obra Lume. Dos 96 trabalhos concorrentes, o júri optou por distinguir o manuscrito que, segundo Paulo Assim, pseudónimo de Paulo Carreira, nascido em Casais de Além, «retrata um passado de paixão não correspondida e de perda consequente, onde tudo o que se faz, ou quase tudo, tem o calor da força da idade e onde tudo é tão fugaz como o fogo». Paulo Assim avisa, contudo, «que cada pessoa pode fazer uma leitura diferente da poesia que lê» e refere ser «também uma responsabilidade acrescida» ter vencido uma distinção promovida pelos agentes da região.

Instituído em 2019, o galardão, da responsabilidade da Câmara Municipal de Leiria, prevê um prémio monetário de cinco mil euros para o vencedor. A edição da obra não consta do regulamento, mas Paulo Assim está convencido que tal vai acontecer. Para o poeta, estes prémios literários «são muito importantes» e «uma das maneiras de mostrar que existe um interesse pela escrita por parte das entidades promotoras e, ao mesmo tempo, fazer com que os autores retirem os seus trabalhos literários da gaveta». Este foi o caso de Estado Febril, «um dos últimos prémios» do autor (Prémio Literário Cidade de Almada), que não foi publicado, e, agora, de Lume.

Para o júri, composto pela escritora e investigadora Cristina Nobre, pelo ensaísta Manuel Frias Martins, pelo escritor Domingos Lobo (pseudónimo), e pelo técnico superior do Departamento de Educação do Município de Leiria, David Arede, esta obra foi, por unanimidade, a vencedora entre os trabalhos, submetidos por autores de Portugal, mas também do Canadá, Suécia, França, Cabo Verde e Israel. Se a investigadora fala de «uma escrita enxuta e limpa», o ensaísta, que é também presidente da Associação Portuguesa de Críticos Literários, descobriu, em Lume, «um bom domínio da linguagem e uma aptidão muito interessante para a construção de imagens». Domingos Lobo, por seu lado, considera que este é um «livro de um só poema», que «permite aferir das capacidades discursivas e metafóricas do autor»; já David Arede realça o facto do poeta recorrer a «metáforas fortes, jogos de palavras, hipérboles» para dar «ênfase aos sentimentos e amores da juventude», decorrendo da leitura um «constante apelo aos sentidos».

A próxima edição do Prémio Literário Afonso Lopes Vieira, para o biénio 2023/2024, é dedicada à modalidade Novela e Conto. Paulo Assim admite poder vir a participar, mas realça que «escrever, no que [lhe] diz respeito, acontece por fases de maior ou menor inspiração, assim como de vontade e tempo disponível», mas admite que tem «contos que nunca foram publicados e até lá outros podem surgir». Para o escritor, candidatar-se «a prémios literários é a única maneira de ver» publicados os seus versos.