O Natal é símbolo de família, união e esperança, mas, à boa maneira portuguesa, significa também uma comemoração à mesa. Na maioria das casas, Natal significa também uma mesa bem mais composta do que no resto dos dias do ano e com uma variedade de doces jamais vista no resto do ano. Mas e a dieta? Onde fica a dieta? Será que nestes dias devemos preocupar-nos em fazer uma alimentação saudável? Ou podemos prender-nos à ideia de que “um dia não são dias” e, por isso, podemos descuidar-nos? O Portomosense quis saber a resposta a estas questões e por isso procurou uma profissional da área. Patrícia Carreira é nutricionista no Ginásio O2, na Moitalina, e explica que, precisamente pelo facto de o Natal representar «a união e a família», «não devemos abdicar deste momento de convívio e partilha à mesa, apenas porque estamos a pensar na “dieta”. Se gostamos daquele alimento ou prato, não devemos deixar de comer, mas ter em atenção a quantidade que comemos». Boas notícias, certo?

Todavia, a nutricionista deixa alguns conselhos de como fazer com que esta quadra pese menos na nossa balança. «É importante que se mantenham as refeições habituais e equilibradas», ou seja, «saltar refeições ao longo do dia 24 não será o mais adequado pois chegaremos à Ceia de Natal com muito mais apetite e teremos mais vontade de comer alimentos ricos em gorduras e açúcares», explica. Outro ponto importante é que, nos dias seguintes, façamos por «regressar às rotinas, quer seja em hábitos alimentares saudáveis, quer seja no exercício físico regular, para, assim, minimizar os efeitos negativos dos excessos nesta época».

Patrícia Carreira diz também que é possível fazer algumas adaptações nas receitas tradicionais para que não sejam tão nocivas à nossa saúde. «Conseguimos alterar uma receita tradicional de três formas: substituição de ingredientes, podemos substituir um óleo utilizado na confeção de um prato por azeite, substituir o açúcar por açúcar amarelo, açúcar mascavado ou mel numa sobremesa ou até substituir uma farinha refinada por uma farinha integral; redução de quantidades de açúcar, gordura ou sal; e alteração do método culinário, [por exemplo,] cozinhar no forno um prato que seria frito». No entanto, a nutricionista deixa um alerta: «Adaptar a ementa de Natal é uma boa estratégia», mas temos de ter cuidado para não pensarmos que, como é mais saudável, podemos comer em mais quantidade. Patrícia Carreira aconselha ainda que se mantenham os hábitos alimentares e se pratique exercício físico regular; não esquecer a inserção de produtos hortícolas nas refeições de Natal; e que se faça uma seleção daquilo que mais se gosta, comendo-o em quantidades controladas.